O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira, durante a reunião ampliada do G7, que o combate ao crime organizado internacional esteja na agenda dos países, mas com respeito à soberania dos Estados.
Lula representou o Brasil como país convidado no encontro e afirmou que o crime organizado aterroriza comunidades e desvia recursos públicos. Segundo ele, o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser tratado de forma isolada, mas precisa incluir também o combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas.
A declaração acontece após os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, medida que, em tese, poderia abrir espaço para ações militares americanas no Brasil, segundo a avaliação de aliados do governo.
Críticas ao protecionismo e à desigualdade
No discurso, Lula afirmou ainda que “o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas” para os problemas globais. Ele disse que a desigualdade entre países ricos e pobres está aumentando e citou, sem mencionar nomes, que Elon Musk, apontado como o primeiro trilionário do mundo, tem mais riqueza do que os 46% mais pobres da população mundial.
O presidente também afirmou que a solidariedade internacional está encolhendo, com redução na ajuda a países vulneráveis e cortes no orçamento de programas da Organização das Nações Unidas (ONU) voltados a alimentos, saúde e infância. Ao mesmo tempo, segundo ele, os gastos militares no mundo somam quase US$ 3 trilhões por ano.
Tecnologia e minerais críticos
Lula defendeu ainda acesso mais amplo a tecnologias de ponta, como inteligência artificial, e disse que países com reservas de minerais críticos devem ser industrializados e receber tecnologia e capacitação.
Para o presidente, a distribuição desses recursos e do conhecimento tecnológico precisa ser parte da estratégia internacional para reduzir desigualdades e evitar novas dependências econômicas.