O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende realizar uma visita oficial à Casa Branca para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A intenção inicial era que o encontro ocorresse ainda em março, mas, devido a dificuldades de agenda entre os dois líderes, uma data oficial ainda não foi definida.
Segundo fontes do governo ouvidas pela imprensa, além da reunião bilateral, o Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil, levou à pauta uma preocupação do governo brasileiro: evitar que os Estados Unidos classifiquem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
Entre os grupos citados estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Diplomatas brasileiros demonstram preocupação com a possibilidade de que a classificação dessas facções como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) possa abrir espaço para ações mais duras por parte dos Estados Unidos, inclusive com o uso de força militar em operações contra o narcotráfico.
Fontes ligadas ao governo Trump afirmam que a proposta vem sendo defendida pelo senador Marco Rubio e estaria em estágio avançado. A ideia deve ser apresentada ao Congresso dos Estados Unidos para ratificação.
De acordo com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, para que um grupo seja classificado como Organização Terrorista Estrangeira, três critérios principais precisam ser atendidos:
Ser uma organização estrangeira
Engajar-se em atividade terrorista ou ter capacidade para realizá-la
Representar ameaça à segurança ou aos interesses dos Estados Unidos
Quando um grupo recebe essa designação, diversas medidas podem ser aplicadas, como:
Criminalização de qualquer apoio financeiro ou material ao grupo nos EUA
Bloqueio de ativos financeiros ligados à organização
Restrições de visto ou deportação de membros e associados
Ampliação da cooperação internacional para isolar financeiramente o grupo
O debate ganhou força após decisões recentes envolvendo a Venezuela.
Em novembro do ano passado, o governo Trump classificou o Cartel de los Soles como organização terrorista, acusando o então presidente venezuelano Nicolás Maduro de liderar o grupo.
Meses depois, em 3 de janeiro, forças americanas realizaram uma operação militar na Venezuela e capturaram Maduro, que foi levado para Nova York para responder a acusações de narcoterrorismo, conspiração para tráfico de drogas e posse de armas e explosivos.
Durante audiência inicial na Justiça norte-americana, o líder venezuelano se declarou inocente. Uma nova sessão judicial foi marcada para 17 de março, quando ele e sua esposa devem prestar depoimento.