A mais nova pesquisa nacional Ipsos-Ipec, realizada entre os dias 13 e 17 de junho e divulgada nesta segunda-feira (22), mostra que a avaliação negativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue numericamente superior à positiva, mantendo o cenário de forte polarização política no país. Segundo os dados, o governo é considerado ruim ou péssimo por 38% dos brasileiros, enquanto 32% o classificam como ótimo ou bom. Aqueles que enxergam a gestão como regular somam 28%.
Na comparação com a rodada anterior de março, os índices oscilaram dentro da margem de erro: a avaliação negativa caiu dois pontos (era 40%) e a positiva recuou um ponto (era 33%). O principal movimento foi o crescimento do grupo que considera o governo regular, que saltou de 24% para 28%.
De acordo com Márcia Cavallari, diretora da Ipsos-Ipec, o quadro geral não demonstra grandes rupturas. “Apesar da pequena melhora na avaliação regular, o saldo do governo ainda é negativo”, avalia, apontando para um cenário de “opiniões consolidadas e polarizadas”.
O levantamento detalha o forte recorte demográfico, religioso e socioeconômico que divide as opiniões sobre a administração federal:
Avaliação positiva (Ótimo/Bom) se destaca entre: Eleitores de Lula em 2022 (62%), moradores da região Nordeste (47%), entrevistados com ensino fundamental (47%), cidadãos com renda familiar de até 1 salário mínimo (41%) e católicos (38%).
Avaliação negativa (Ruim/Péssimo) é mais acentuada entre: Eleitores de Jair Bolsonaro em 2022 (74%), entrevistados com renda familiar acima de 5 salários mínimos (54%), evangélicos (49%), pessoas com ensino superior (46%) e moradores do Sudeste (44%).
O instituto também mensurou a aprovação pessoal da forma como o presidente administra o país. Atualmente, 50% desaprovam a gestão de Lula, contra 44% que aprovam (em março, o placar era de 51% a 43%). No quesito confiança, 56% afirmaram não confiar no presidente, enquanto 41% declararam confiar.
Quando questionados sobre as entregas do governo, 42% afirmam que a gestão está pior do que o esperado, 32% acham que está igual e 23% consideram melhor.
Se a percepção sobre os últimos seis meses da economia brasileira ainda é majoritariamente crítica — com 41% dizendo que a situação piorou —, o olhar para o futuro imediato registrou uma inversão inédita.
Pela primeira vez em meses, os otimistas superaram os pessimistas: 36% acreditam que a economia vai melhorar nos próximos seis meses, enquanto 32% apostam que vai piorar. Em março, os pessimistas lideravam esse indicador com 36% contra 33% de otimistas.
O levantamento Ipsos-Ipec ouviu 2 mil eleitores em 130 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.