Educação
Censo 2025 mostra queda de mais de 1 milhão de matrículas na educação básica
Total de alunos cai para 46 milhões; MEC atribui recuo à mudança demográfica e à redução da repetência
26/02/2026 13h49
Por: Fonte: G1

O Brasil perdeu mais de 1 milhão de matrículas na educação básica entre 2024 e 2025. O número total de estudantes caiu de 47,08 milhões para 46,01 milhões, segundo o Censo Escolar 2025 divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Os dados abrangem todas as etapas da educação básica: creche, pré-escola, ensino fundamental, ensino médio, cursos técnicos, qualificação profissional e Educação de Jovens e Adultos (EJA).

De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, dois fatores principais explicam a redução:

O presidente do Inep, Manuel Palacios, afirmou que o país está próximo da universalização da educação básica e classificou o cenário como uma “vitória histórica”.

Ensino médio tem menor número do século

O ensino médio registrou o menor número de matrículas do século XXI. Em 2025, o total caiu para 7,37 milhões de alunos, uma redução de 5,39% em relação a 2024.

Na rede pública, a queda foi de 6,3%, passando de 6,75 milhões para 6,33 milhões de estudantes. Já na rede privada houve leve alta de 0,59%.

São Paulo liderou a redução em números absolutos, com perda de quase 252 mil alunos em apenas um ano.

Desde o pico histórico de 9,16 milhões de matrículas em 2004, a etapa acumula declínio contínuo, especialmente na rede pública.

Educação infantil estagnada

A educação infantil também apresentou retração de 205 mil matrículas (-2,17%), com destaque para a pré-escola, que concentrou cerca de 200 mil dessas perdas.

O país não atingiu as metas do Plano Nacional de Educação (PNE):

Especialistas alertam que, mesmo com a queda na natalidade, o número de matrículas em creches deveria crescer para que o Brasil alcance a meta prevista para a próxima década.

EJA e ensino técnico também recuam

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) registrou queda de 5,8% nas matrículas. No ensino médio da EJA, foram cerca de 130 mil alunos a menos em um ano.

O ensino técnico subsequente — feito após a conclusão do ensino médio — teve a maior redução proporcional entre todas as etapas: queda de 16,25%, com 161 mil matrículas a menos.

Já o ensino técnico integrado ao ensino médio manteve desempenho mais estável.

Ensino fundamental tem queda menor

O ensino fundamental apresentou redução de cerca de 195 mil matrículas (-0,75%), percentual considerado pequeno diante do volume total de alunos do 1º ao 9º ano.

Tendência demográfica

Pesquisadores do Inep apontam que a redução no número de crianças de 0 a 4 anos e adolescentes de 15 a 17 anos é o principal fator estrutural para o encolhimento das matrículas.

Apesar do recuo absoluto, o MEC sustenta que o atendimento proporcional à população está avançando e que o país caminha para a universalização do acesso à escola.

O desafio agora, segundo especialistas, é garantir qualidade, ampliar a educação infantil e evitar novos ciclos de evasão, especialmente no ensino médio.