O Brasil perdeu mais de 1 milhão de matrículas na educação básica entre 2024 e 2025. O número total de estudantes caiu de 47,08 milhões para 46,01 milhões, segundo o Censo Escolar 2025 divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Os dados abrangem todas as etapas da educação básica: creche, pré-escola, ensino fundamental, ensino médio, cursos técnicos, qualificação profissional e Educação de Jovens e Adultos (EJA).
De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, dois fatores principais explicam a redução:
Queda na população em idade escolar nos últimos anos;
Diminuição da repetência, com mais alunos sendo aprovados de forma sucessiva.
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Acesse o canal →O presidente do Inep, Manuel Palacios, afirmou que o país está próximo da universalização da educação básica e classificou o cenário como uma “vitória histórica”.
O ensino médio registrou o menor número de matrículas do século XXI. Em 2025, o total caiu para 7,37 milhões de alunos, uma redução de 5,39% em relação a 2024.
Na rede pública, a queda foi de 6,3%, passando de 6,75 milhões para 6,33 milhões de estudantes. Já na rede privada houve leve alta de 0,59%.
São Paulo liderou a redução em números absolutos, com perda de quase 252 mil alunos em apenas um ano.
Desde o pico histórico de 9,16 milhões de matrículas em 2004, a etapa acumula declínio contínuo, especialmente na rede pública.
A educação infantil também apresentou retração de 205 mil matrículas (-2,17%), com destaque para a pré-escola, que concentrou cerca de 200 mil dessas perdas.
O país não atingiu as metas do Plano Nacional de Educação (PNE):
Creche (meta 50%): 39,7% de atendimento;
Pré-escola (meta 100%): 93,4%.
Especialistas alertam que, mesmo com a queda na natalidade, o número de matrículas em creches deveria crescer para que o Brasil alcance a meta prevista para a próxima década.
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) registrou queda de 5,8% nas matrículas. No ensino médio da EJA, foram cerca de 130 mil alunos a menos em um ano.
O ensino técnico subsequente — feito após a conclusão do ensino médio — teve a maior redução proporcional entre todas as etapas: queda de 16,25%, com 161 mil matrículas a menos.
Já o ensino técnico integrado ao ensino médio manteve desempenho mais estável.
O ensino fundamental apresentou redução de cerca de 195 mil matrículas (-0,75%), percentual considerado pequeno diante do volume total de alunos do 1º ao 9º ano.
Pesquisadores do Inep apontam que a redução no número de crianças de 0 a 4 anos e adolescentes de 15 a 17 anos é o principal fator estrutural para o encolhimento das matrículas.
Apesar do recuo absoluto, o MEC sustenta que o atendimento proporcional à população está avançando e que o país caminha para a universalização do acesso à escola.
O desafio agora, segundo especialistas, é garantir qualidade, ampliar a educação infantil e evitar novos ciclos de evasão, especialmente no ensino médio.