Crise na CBF
Crise na CBF: Denúncias de gastos indevidos fazem presidente Samir Xaud se afastar da Seleção na Copa
Mandatário é acusado de usar recursos da entidade para despesas de luxo pessoais nos EUA e viaja às pressas para Orlando. Vice assume o comando da delegação para tentar blindar o elenco de Carlo Ancelotti.
17/06/2026 15h12
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Foto: Reprodução/Instagram

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enfrenta uma grave crise institucional em plena disputa da Copa do Mundo de 2026. O centro do escândalo envolve denúncias de gastos indevidos contra o atual presidente da entidade, Samir Xaud.

As acusações apontam que o mandatário teria utilizado recursos financeiros da confederação para custear viagens e hospedagens de luxo para acompanhantes nos Estados Unidos. Para tentar conter o desgaste político e a crise familiar, Xaud se afastou da delegação da Seleção Brasileira, viajando às pressas de Nova Jersey para Orlando.

Os detalhes do escândalo financeiro e pessoal

As informações sobre o caso começaram a vir a público através do jornalista Léo Dias. De acordo com as denúncias:

Em nota oficial, a CBF negou categoricamente qualquer uso irregular de verbas públicas ou institucionais. A entidade máxima do futebol brasileiro afirmou que todas as despesas de cunho estritamente particular são integralmente arcadas pelos próprios diretores.

Blindagem de Ancelotti e comando da Seleção na Copa

Para impedir que a turbulência política desestabilize o elenco comandado pelo técnico Carlo Ancelotti na busca pelo hexa, a cúpula da CBF acionou um plano de contingência emergencial.

A primeira medida foi o afastamento físico do mandatário. Samir Xaud foi orientado a não frequentar mais o dia a dia da concentração em Basking Ridge, nem os campos de treinamento em Morristown. A recomendação é que ele compareça apenas a compromissos protocolares da Fifa e aos jogos oficiais da Seleção.

Com o sumiço planejado de Xaud, o comando operacional da delegação nos Estados Unidos foi assumido pelo vice-presidente da entidade, Gustavo Dias Henrique, que atua em conjunto com o coordenador de seleções, Rodrigo Caetano.

Bastidores apontam que o vazamento das informações partiu de "fogo amigo" dentro da própria CBF, motivado por grupos de oposição que disputam o controle político da confederação. Apesar do racha interno, as federações estaduais emitiram notas de apoio temporário a Xaud para tentar evitar uma nova e traumática troca imediata na presidência durante o Mundial.

Histórico recente de instabilidade e rombo milionário

A crise com Samir Xaud adiciona mais um capítulo à crônica de problemas financeiros e de governança que assombram a CBF nos últimos anos.

Recentemente, a entidade registrou em seu balanço financeiro um prejuízo de R$ 182,5 milhões. O resultado negativo histórico foi severamente impactado por um salto de 111% nas despesas operacionais da confederação, além do pagamento de uma indenização judicial milionária ao clube cearense Icasa.

Além do rombo nos cofres, a cadeira de presidente da CBF vive uma "dança das cadeiras" crônica. Antes da atual gestão, Rogério Caboclo foi destituído do cargo após denúncias de assédio moral e sexual. Seu sucessor, Ednaldo Rodrigues, também acabou afastado em meio a polêmicas envolvendo irregularidades e suposta falsificação de assinaturas em documentos internos da entidade.