A campanha de Flávio Bolsonaro intensificou a reação às pesquisas presidenciais de 2026 com uma estratégia que combina ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contestação pública de levantamentos e tentativa de reposicionar o discurso do pré-candidato do PL.
A movimentação ocorre após pesquisas recentes, como as da Genial/Quaest e da BTG Pactual/Nexus, apontarem ampliação da vantagem do presidente Lula e enfraquecimento do cenário de empate técnico que havia sido observado anteriormente.
Ofensiva jurídica contra pesquisas
Nos bastidores, a coordenação jurídica da campanha passou a acionar a Justiça Eleitoral para contestar e tentar suspender pesquisas consideradas desfavoráveis, entre elas o levantamento da AtlasIntel/Bloomberg, que teria captado os primeiros efeitos de desgastes recentes da pré-campanha.
Aliados e perfis ligados ao bolsonarismo também passaram a criticar a metodologia de institutos de pesquisa, com acusações públicas de que alguns levantamentos estariam distorcendo os dados. Até aqui, a estratégia tem sido usada para tentar reduzir o impacto político das sondagens negativas.
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Ao mesmo tempo, marqueteiros e articuladores da campanha tentam mudar a imagem de Flávio Bolsonaro, com foco em um discurso mais ao centro e com propostas positivas. A intenção é afastar a pré-campanha dos efeitos colaterais provocados por investigações ligadas ao caso Daniel Vorcaro, que têm gerado desgaste interno e ruído político.
A avaliação nos bastidores é de que a candidatura perdeu fôlego especialmente entre eleitores independentes, jovens, mulheres e evangélicos. Apesar disso, o senador ainda preserva o apoio do núcleo duro da direita.
Crise interna e falta de empenho de aliados
A reação à queda nas pesquisas também expôs dificuldades de articulação dentro do campo bolsonarista. Segundo interlocutores da campanha, há preocupação com o distanciamento de três nomes considerados importantes para a mobilização eleitoral: Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira.
A leitura interna é de que a ausência de engajamento dos três prejudica a tentativa de reação da campanha em um momento de maior pressão.
Temor com o “fator Eduardo”
Outro ponto de preocupação é o impacto das movimentações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Assessores avaliam que a crise relacionada ao caso Vorcaro já entrou no cálculo político da campanha, mas temem que novas declarações e articulações do deputado possam gerar desgastes adicionais, inclusive no campo internacional e jurídico.
Nos bastidores, a ordem é reduzir ruídos e tentar estabilizar a candidatura antes que a perda nas pesquisas se consolide.