A Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems) detalhou os motivos que levaram ao reajuste de 1.185% na mensalidade cobrada dos cônjuges dependentes do plano de saúde.
A contribuição mensal, que atualmente é de R$ 35, passará para R$ 450 a partir da competência de maio de 2026, com reflexo financeiro para os usuários já em junho.
Segundo a operadora, a decisão foi tomada após estudos técnicos atuariais apontarem um grave desequilíbrio financeiro específico neste grupo de beneficiários.
De acordo com os números apresentados pela direção da Cassems, os cerca de 42 mil cônjuges dependentes geraram nos últimos 12 meses:
O resultado foi um déficit anual de R$ 189 milhões.
O presidente da operadora, Ricardo Ayache, afirmou que atualmente o plano gasta R$ 4,08 em procedimentos médicos para cada R$ 1 arrecadado com este grupo.
A gestão da Cassems e representantes sindicais alegam que o modelo histórico de contribuição dos cônjuges tornou-se financeiramente inviável.
Segundo a entidade, durante muitos anos os dependentes cônjuges pagaram taxas simbólicas ou sequer contribuíam diretamente para o plano.
A operadora também argumenta existir uma diferença importante em relação aos filhos dependentes.
Enquanto filhos deixam automaticamente a condição de dependência entre 18 e 21 anos — migrando para categorias com mensalidades maiores — os cônjuges permaneciam vitaliciamente pagando apenas o valor fixo de R$ 35.
Para a instituição, isso gerou uma distorção estrutural no sistema de custeio.
A Cassems afirma que o problema acompanha uma crise mais ampla da saúde suplementar em todo o país.
Entre os principais fatores apontados estão:
Segundo a operadora, essas despesas elevaram significativamente os gastos assistenciais nos últimos anos.
A entidade informou ainda que o reajuste foi adotado apenas após tentativas internas de contenção de despesas.
Conforme a Cassems, mais de R$ 104 milhões foram economizados no último ano por meio de:
A operadora sustenta que o aumento concentrado nos cônjuges foi necessário para evitar riscos à sustentabilidade financeira do sistema e preservar o atendimento futuro dos titulares e demais dependentes.
Apesar da justificativa técnica apresentada, o reajuste segue gerando forte repercussão entre servidores estaduais.
Especialistas apontam que, embora o Código de Defesa do Consumidor não se aplique diretamente às entidades de autogestão — conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) — o aumento ainda pode ser questionado judicialmente com base no Código Civil.
Os principais argumentos usados em ações semelhantes envolvem:
Tribunais brasileiros costumam reconhecer a necessidade de equilíbrio financeiro dos planos, mas frequentemente avaliam se os reajustes são proporcionais e suportáveis para os beneficiários.