Saúde
Fiocruz abre 20 mil vagas em curso sobre vício em apostas online para profissionais da saúde
Crescimento da compulsão por bets acende alerta de saúde pública e está ligado a ansiedade, depressão e endividamento familiar
12/05/2026 11h23
Por: Fonte: Rádio Agência
Foto: REUTERS/Alexandre Meneghini

O avanço do vício em apostas online, conhecidas popularmente como “bets”, tem preocupado especialistas e autoridades de saúde em todo o país. Além do aumento do endividamento das famílias, a compulsão por jogos de aposta vem sendo associada a transtornos como ansiedade, depressão, isolamento social e jogo patológico.

Diante desse cenário, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Brasília), em parceria com o Ministério da Saúde, abriu inscrições para o curso “Jogos de Aposta: Cuidado na Rede de Atenção Psicossocial”, voltado à qualificação de profissionais da saúde para lidar com os impactos da dependência em apostas online.

As inscrições seguem abertas até o dia 2 de junho por meio do site oficial da Fiocruz. Ao todo, serão ofertadas 20 mil vagas gratuitas em todo o Brasil.

A formação será realizada na modalidade a distância, com carga horária de 45 horas, e é direcionada principalmente para trabalhadores da rede de atenção psicossocial e da atenção primária.

Segundo a instituição, o objetivo é capacitar os profissionais para identificar comportamentos de risco, acolher famílias afetadas, construir projetos terapêuticos e fortalecer o atendimento integrado nos territórios.

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O psiquiatra da Universidade de São Paulo (USP), Hermano Tavares, explica que o transtorno do jogo já é reconhecido oficialmente como uma doença psiquiátrica há décadas.

“O transtorno do jogo foi reconhecido como um diagnóstico psiquiátrico em 1979 pela Organização Mundial de Saúde e, no ano seguinte, em 1980, a Associação Norte-Americana de Psiquiatria também seguiu o exemplo e incluiu isso como um diagnóstico no rol de diagnósticos psiquiátricos”, explicou.

Segundo o especialista, o comportamento funciona de forma semelhante à dependência química.

“Ele funciona de um modo muito semelhante à dependência por drogas, álcool, cocaína. A novidade é essa: a gente sempre achou que a dependência só poderia ser causada por uma substância”, destacou.

O crescimento das plataformas de apostas no Brasil também chama atenção de pesquisadores. O editor da revista Pesquisa Fapesp, Ricardo Zorzetto, afirma que o setor teve forte expansão nos últimos anos.

“Tem alguns levantamentos que indicam que desde 2018 já existam quase duas mil casas de apostas no país e que só nos últimos seis meses, 25 milhões de pessoas tenham começado a jogar este tipo de jogo”, afirmou.

Ele ressalta ainda que nem todos os apostadores desenvolvem dependência, mas parte significativa enfrenta consequências financeiras e sociais.

“Estudos internacionais calculam que mais ou menos 9% das pessoas passam a enfrentar algum grau de problema financeiro ou social e 1,4% dos jogadores desenvolvem o que eles chamam de transtorno do jogo”, completou.

Os participantes que concluírem o curso receberão certificado digital gratuito emitido automaticamente pela plataforma da Fiocruz.