Saúde pública
Fiscalização apreende mais de 2 mil medicamentos irregulares nos Correios em Campo Grande
Operação Visa Protege identificou produtos de origem paraguaia sem registro na Anvisa, escondidos em encomendas postais e misturados a objetos de uso cotidiano
06/02/2026 13h15
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Uma operação de fiscalização realizada no Centro de Triagem e Distribuição dos Correios, no bairro Amambaí, em Campo Grande, resultou na apreensão de mais de 2 mil unidades de medicamentos irregulares. A ação, batizada de Operação Visa Protege, ocorreu entre segunda-feira (2) e quarta-feira (4) e teve como foco o combate ao envio clandestino de produtos farmacêuticos sem registro sanitário e sem comprovação de origem.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), ao todo foram recolhidas 2.071 unidades de medicamentos, entre eles emagrecedores, esteroides anabolizantes, ampolas, medicamentos de tarja preta e canetas injetáveis utilizadas para emagrecimento. Todos os produtos apreendidos eram de origem paraguaia e não possuíam registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou eram comercializados sem nota fiscal.

Medicamentos eram enviados de forma clandestina

Segundo a SES, os responsáveis pelo envio tentavam burlar a fiscalização utilizando estratégias para camuflar os medicamentos em meio a objetos de uso comum. As encomendas eram despachadas de forma clandestina pelo fluxo postal, sem qualquer controle sanitário ou garantia das condições adequadas de transporte e armazenamento.

Durante a inspeção, os fiscais constataram que parte dos medicamentos exigia conservação sob refrigeração, com temperatura entre 2ºC e 8ºC, condição que não foi respeitada. O transporte inadequado compromete a eficácia dos produtos e pode representar risco direto à saúde dos consumidores.

A identificação das encomendas suspeitas ocorreu por meio do sistema de inspeção por raio-X utilizado no centro de triagem dos Correios. Após a análise das imagens, os volumes foram separados e retidos pela Gerência de Segurança Empresarial dos Correios, que acionou os órgãos de fiscalização sanitária.

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Produtos estavam escondidos em objetos do dia a dia

A operação revelou a criatividade utilizada para tentar driblar os controles. Os fiscais encontraram medicamentos escondidos em uma variedade de embalagens e objetos, como:

De acordo com os órgãos envolvidos, o método representa não apenas uma tentativa de ocultação, mas também agrava os riscos sanitários, já que muitos desses recipientes não oferecem qualquer proteção adequada contra contaminação, variações de temperatura ou danos físicos aos medicamentos.

Risco à saúde pública preocupa autoridades

A Secretaria de Estado de Saúde alerta que a venda, o envio e o consumo de medicamentos sem registro, autorização ou comprovação de origem configuram grave risco à saúde pública. Sem o controle sanitário exigido por lei, esses produtos podem apresentar composição desconhecida, dosagens incorretas ou até substâncias proibidas.

Além de não garantir o efeito terapêutico prometido, os medicamentos irregulares podem causar reações adversas, intoxicações, agravamento de doenças preexistentes e outros problemas de saúde, especialmente quando se trata de produtos como anabolizantes, remédios para emagrecimento e medicamentos de tarja preta, que exigem prescrição e acompanhamento médico.

A SES reforça que o uso indiscriminado desse tipo de produto pode gerar consequências sérias e até irreversíveis, além de sobrecarregar o sistema de saúde com atendimentos decorrentes de complicações evitáveis.

Operação teve atuação integrada de vários órgãos

A Operação Visa Protege foi coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde e contou com a atuação conjunta de diversos órgãos de fiscalização e controle. Participaram da ação a Vigilância Sanitária Estadual, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Coordenação de Vigilância Sanitária de Portos, Aeroportos e Fronteiras de Mato Grosso do Sul (CVPAF-MS), o Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul (CRF/MS) e os Correios.

A atuação integrada permitiu uma fiscalização mais eficiente do fluxo postal e o fortalecimento das ações de combate ao comércio ilegal de medicamentos, prática que tem se intensificado nos últimos anos, especialmente com o uso de redes sociais e canais informais de venda.

Combate ao comércio ilegal segue como prioridade

Segundo a SES, operações como essa devem continuar sendo realizadas de forma periódica, tanto em centros de triagem dos Correios quanto em outros pontos estratégicos de entrada e distribuição de produtos no Estado. O objetivo é coibir o comércio ilegal de medicamentos e proteger a população de riscos sanitários.

As autoridades também orientam que a população evite adquirir medicamentos por meios informais, sem receita médica ou fora de estabelecimentos legalizados. Em caso de suspeita de venda irregular, a recomendação é denunciar aos órgãos de vigilância sanitária.

A apreensão reforça a importância da fiscalização contínua e do trabalho conjunto entre instituições para garantir a segurança dos produtos que chegam aos consumidores e preservar a saúde pública.