Saúde pública
Vereador Jota Pereira denuncia espera de três meses por cirurgias e cobra governo de MS
Parlamentar de Vicentina afirma que pacientes aguardam ponte de safena e ortopedia e diz que sentimento é de indignação
20/02/2026 20h08 Atualizada há 4 meses
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Foto: Arquivo SES

O vereador Jota Pereira publicou um vídeo nas redes sociais em que denuncia a demora de até três meses para realização de cirurgias e atendimentos de alta complexidade no sistema público de saúde de Mato Grosso do Sul. No pronunciamento, ele afirma que moradores de municípios pequenos, como Vicentina, enfrentam dificuldades para acessar procedimentos como ponte de safena e consultas em ortopedia, e cobra providências do governo estadual.

“Indignação, isso é a palavra que temos que tem que ser colocada com relação ao que acontece na saúde do Estado de Mato Grosso do Sul”, declarou logo no início do vídeo. Segundo ele, o sentimento é compartilhado por famílias que aguardam atendimento especializado e convivem com a incerteza.

De acordo com o vereador, a principal queixa envolve a fila para procedimentos de alta complexidade, cuja responsabilidade é do Estado. “Pacientes há três meses esperando para fazer algumas cirurgias, procedimentos de ponte safena, pacientes na fila de espera esperando especialidade como ortopedia, pacientes na fila de espera esperando todo tipo de procedimento que é de responsabilidade da Secretaria de Estado de Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Intervenção em defesa de pacientes

Jota Pereira disse que decidiu se manifestar para interceder por pacientes do município que aguardam na fila da regulação estadual. “Eu quero aqui manifestar o desejo e a busca de interceder por esses pacientes do município de Vicentina que são aqueles que estão na fila de espera esperando tais procedimentos”, destacou.

Entre os casos mencionados, estão pacientes que aguardam cirurgia de revascularização do miocárdio, popularmente conhecida como ponte de safena, indicada para desobstrução das artérias coronárias. O procedimento é considerado de alta complexidade e exige estrutura hospitalar especializada.

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“Como paciente que está há três meses na espera de um procedimento cirúrgico para fazer ponte safena, a família desesperada, se isso não é alta complexidade eu não sei mais o que que é alta complexidade”, disse.

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Ano eleitoral e cobrança por resultados

O vereador também mencionou o fato de o país estar em ano eleitoral e demonstrou preocupação com o cenário após o pleito. “Nós estamos num ano atípico. Esse é um ano eleitoral. Imaginamos se dentro de um ano eleitoral essas dificuldades que estão acontecendo não estão sendo resolvidas, imagina depois que passar o período eleitoral”, afirmou.

Para ele, o momento deveria ser de maior atenção às demandas da população, especialmente na área da saúde, considerada uma das mais sensíveis.

Jota Pereira ressaltou que o vídeo não tem objetivo político ou de autopromoção. “Não estou fazendo vídeo para a procura de likes, a procura de crescer em rede social. Estou fazendo vídeo para que esse vídeo chegue nas autoridades competentes, secretário de saúde do Estado de Mato Grosso do Sul, ao governador do Estado de Mato Grosso do Sul, para que a gente resolva essas questões”, declarou.

Críticas ao acesso ao Hospital Regional

No pronunciamento, o vereador também criticou a dificuldade de acesso ao Hospital Regional, referência para atendimentos de média e alta complexidade no Estado.

“Quando se dizia que se inaugurava o Hospital Regional no Estado de Mato Grosso do Sul e todos os problemas do Estado na área de saúde acabaria, isso é fake, isso é enganação, não existe isso. Nós, muitas das vezes, não conseguimos nem acesso ao Hospital Regional”, afirmou.

Segundo ele, embora os municípios cumpram o papel na atenção básica, o gargalo está na etapa estadual. “Muitas das vezes o município aqui na ponta faz o dever de casa, que é levar o paciente, buscar o paciente, fazer as consultas básicas, tomar conta da saúde básica do paciente e muitas das vezes o que a parte do Estado não é feito”, declarou.

No modelo do Sistema Único de Saúde, os municípios são responsáveis pela atenção primária, enquanto o Estado coordena a oferta de serviços de média e alta complexidade, como cirurgias especializadas e internações de maior porte.

Apelo por sensibilidade

Ao final, o vereador voltou a reforçar o sentimento de revolta diante do cenário descrito. “Portanto, eu quero aqui manifestar essa indignação, que não tem outra palavra, não tem outro sentimento, a não ser indignação por conta do que está acontecendo na saúde pública do Estado de Mato Grosso do Sul”, concluiu.

Ele pediu que o governo estadual e a Secretaria de Saúde busquem alternativas para reduzir as filas e garantir atendimento adequado à população. “Que busque e se sensibilize para que a gente possa criar alternativas para resolver o problema da saúde pública no Estado de Mato Grosso do Sul.”

Até o momento, não houve posicionamento oficial da Secretaria de Estado de Saúde sobre as declarações do parlamentar.

O caso reacende o debate sobre os desafios da saúde pública no interior do Estado, especialmente no que diz respeito à regulação de vagas e à oferta de procedimentos de alta complexidade.