O bloqueio do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, já provoca impactos além do mercado de petróleo e acende um alerta global para a segurança alimentar. Segundo a Organização das Nações Unidas, a interrupção da rota marítima compromete o fornecimento de fertilizantes essenciais para a produção agrícola que abastece milhões de pessoas em diferentes regiões do mundo.
Antes da escalada das tensões no Golfo Pérsico, cerca de um terço do comércio global de fertilizantes passava pelo estreito, atualmente afetado por ações militares envolvendo Irã e Estados Unidos. Além disso, aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo também depende da rota, ampliando os efeitos da crise.
Diante do cenário, o diretor executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos, Jorge Moreira da Silva, informou que a organização criou uma força-tarefa para tentar garantir a passagem de fertilizantes e matérias-primas estratégicas, como ureia, enxofre e amônia.
A medida busca evitar um colapso na produção de alimentos, especialmente em países altamente dependentes desses insumos.
Entre os países que já enfrentam maior vulnerabilidade estão Sudão, Somália, Moçambique, Quênia e Sri Lanka. Essas nações dependem fortemente de fertilizantes produzidos na região afetada pelo bloqueio.
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Acesse o canal →A ONU estima que a interrupção prolongada do fluxo pode levar cerca de 45 milhões de pessoas à fome, agravando ainda mais a crise humanitária global.
A situação se torna ainda mais crítica porque coincide com o calendário agrícola desses países. Em muitos deles, o período de plantio já começou e deve se encerrar até maio, especialmente no continente africano.
Sem acesso aos fertilizantes, a produtividade das lavouras pode cair drasticamente, comprometendo o abastecimento alimentar nos próximos meses.
Segundo a ONU, mesmo que haja um acordo entre os países envolvidos, seriam necessários pelo menos sete dias para viabilizar uma rota alternativa de transporte de fertilizantes, do ponto de vista operacional.
O tempo é considerado curto diante da urgência da situação, mas qualquer atraso pode ter consequências severas para milhões de pessoas.
A crise no Estreito de Ormuz reforça a interdependência entre geopolítica, energia e produção de alimentos, evidenciando como conflitos regionais podem gerar impactos globais diretos.