Saúde
Estudo da Fiocruz revela que dengue pode elevar risco de síndrome neurológica rara
Pesquisa aponta aumento de até 30 vezes na probabilidade de Guillain-Barré nas primeiras semanas após infecção
20/04/2026 19h12
Por: Fonte: Rádio Agência
Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

Um estudo inédito da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelou que pessoas infectadas pela dengue têm um risco até 17 vezes maior de desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré nas seis semanas seguintes à doença. O levantamento também indica que, nas duas primeiras semanas após o início dos sintomas, esse risco pode ser ainda mais elevado, chegando a até 30 vezes.

Apesar de os números absolutos serem considerados baixos, os dados chamam atenção diante da alta incidência de dengue no Brasil. Segundo o estudo, a cada 1 milhão de casos da doença, cerca de 36 pessoas podem desenvolver a síndrome neurológica, considerada rara, mas potencialmente grave.

A Síndrome de Guillain-Barré é uma condição em que o sistema imunológico passa a atacar os nervos periféricos. Isso pode provocar fraqueza muscular progressiva e, em casos mais severos, comprometer a respiração. Pacientes podem chegar a um quadro de paralisia total, necessitando de suporte com aparelhos para respirar.

Importância do diagnóstico precoce

De acordo com a pesquisadora da Fiocruz Bahia, Viviane Boaventura, o estudo traz evidências importantes para a prática médica, especialmente em regiões onde a dengue é endêmica.

“A evidência da associação da síndrome de Guillain-Barré com a dengue dá para os médicos de regiões endêmicas um respaldo científico para que eles suspeitem dessa síndrome em pacientes que tenham um quadro de fraqueza progressiva durante ou logo depois da dengue. Isso é importante porque permite o início precoce do tratamento com imunoglobulina e plasmaférese. E esse tratamento, ele é mais eficaz quanto mais precocemente for instituído”, afirmou.

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O diagnóstico precoce é considerado essencial para aumentar as chances de recuperação dos pacientes, já que os tratamentos disponíveis apresentam melhores resultados quando iniciados rapidamente.

Necessidade de novos protocolos

A especialista também destaca a importância de criar protocolos específicos que levem em consideração a relação entre dengue e a Síndrome de Guillain-Barré. Segundo ela, é fundamental monitorar sinais neurológicos nas semanas seguintes à infecção.

“É muito importante criar protocolos que associam os casos de dengue confirmada ao monitoramento de sinais neurológicos nas semanas que se seguirem à dengue. Especialmente, atenção à questão da fraqueza ascendente, que é aquela fraqueza que começa nos membros inferiores e vai subindo até em direção aos membros superiores e ao tronco”, explicou.

Esse tipo de acompanhamento pode ajudar a identificar precocemente a evolução da síndrome e iniciar o tratamento antes que o quadro se agrave.

Prevenção continua sendo essencial

Atualmente, não existe um tratamento antiviral específico para a dengue. Por isso, especialistas reforçam que a melhor forma de evitar complicações é prevenir a infecção. Entre as principais medidas está o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.

Eliminar água parada, manter caixas d’água bem fechadas e evitar o acúmulo de lixo são ações simples, mas fundamentais para reduzir a proliferação do mosquito.

Diante das epidemias recorrentes no país, o estudo reforça a necessidade de atenção redobrada não apenas aos sintomas clássicos da dengue, mas também a possíveis complicações neurológicas que podem surgir nas semanas seguintes à infecção.