Saúde
Fotoceratite no verão pode causar queimadura nos olhos e aumentar risco de perda de visão
Especialista alerta para danos provocados pela radiação ultravioleta e reforça cuidados com lentes de contato e óculos de sol
18/02/2026 12h18
Por: Fonte: Rádio Agência
Bruno Peres/Agência Brasil

O verão é sinônimo de lazer ao ar livre, praia e piscina, mas também exige atenção redobrada com a saúde ocular. A exposição excessiva à radiação ultravioleta pode provocar fotoceratite, uma lesão na superfície do olho comparável a uma queimadura solar na córnea. Os sintomas incluem sensação de areia nos olhos, ardência, vermelhidão, dor e sensibilidade à luz, podendo comprometer temporariamente a visão.

Os primeiros sinais costumam surgir poucas horas após a exposição direta ou indireta ao sol sem proteção adequada. Apesar de, na maioria dos casos, os sintomas serem temporários e tratados com colírios lubrificantes, especialistas alertam que a negligência pode levar a complicações mais sérias.

O que é fotoceratite e como ela afeta os olhos

A fotoceratite é uma inflamação da córnea causada pela radiação ultravioleta. A condição provoca descamação da camada superficial do olho, desencadeando dor e desconforto intenso. A sensação é frequentemente descrita como se houvesse areia nos olhos.

Entre os sintomas mais comuns estão ardência, lacrimejamento excessivo, vermelhidão, visão borrada e fotofobia, que é a sensibilidade à luz. Em quadros mais intensos, pode haver secreção e dor significativa.

A oftalmologista clínica e cirúrgica Lara Murad explica que diversos hábitos comuns no verão aumentam o risco de desenvolver o problema.

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"Ela pode estar associada ao uso inadequado de lente, banho de mar, piscina, exposição exagerada à luz do sol, aqueles dias muito claros em que as pessoas ficam muito tempo na claridade, sem uma proteção adequada. Esse quadro de ceratite pode dar secreção, borramento da visão, sensibilidade à luz, o olho fica muito vermelho e até uma dor importante pode aparecer em alguns casos."

Riscos da exposição solar constante

Embora a fotoceratite geralmente tenha caráter temporário, a exposição frequente e sem proteção aos raios ultravioleta pode causar danos permanentes.

Entre as complicações mais conhecidas estão a catarata precoce, provocada pelo envelhecimento antecipado do cristalino; o pterígio, popularmente chamado de carne no olho, que em alguns casos exige cirurgia; e a degeneração macular relacionada à idade, uma doença grave da retina que pode levar à perda irreversível da visão.

Essas doenças estão associadas ao acúmulo de danos ao longo dos anos. Por isso, a prevenção deve começar ainda na infância.

Crianças e usuários de lentes exigem atenção redobrada

Crianças precisam de cuidado especial durante o verão. O uso de chapéus, bonés e óculos com proteção contra radiação ultravioleta é essencial, principalmente em horários de maior intensidade solar.

Usuários de lentes de contato também devem redobrar a atenção. O contato da lente com água do mar ou da piscina aumenta o risco de infecções e inflamações.

Lara Murad reforça a importância da responsabilidade no uso das lentes.

"Ter muito cuidado e muita responsabilidade no uso de lente de contato, cuidado com o contato da lente de contato com a água, praia e piscina e nunca se automedicar. Você deve procurar um oftalmologista para evitar que o quadro se agrave e que a gente possa interferir com o tratamento adequado desde o início dos sintomas."

A automedicação, especialmente com colírios que prometem aliviar vermelhidão, pode mascarar sintomas e agravar o quadro.

Como se proteger corretamente

Para garantir proteção eficaz, é fundamental escolher óculos de sol que tenham filtro contra radiação ultravioleta. A recomendação é verificar se as lentes possuem certificação adequada e podem ser testadas em aparelhos específicos disponíveis em óticas confiáveis.

Especialistas alertam ainda para o risco de adquirir óculos de procedência duvidosa. Lentes escuras sem proteção UV podem ser ainda mais prejudiciais, pois reduzem a luminosidade e fazem a pupila dilatar, permitindo a entrada de maior quantidade de radiação nociva.

Além disso, recomenda-se evitar exposição prolongada ao sol nos horários de pico, manter hidratação adequada dos olhos com orientação médica e buscar avaliação oftalmológica diante de qualquer sintoma persistente.

Prevenção é a melhor estratégia

A fotoceratite pode parecer um problema simples e passageiro, mas é um sinal de que os olhos sofreram agressão direta da radiação solar. A repetição desse dano ao longo do tempo aumenta o risco de doenças oculares graves.

No verão, quando a exposição à luz intensa é maior, a proteção deve fazer parte da rotina tanto quanto o uso de protetor solar na pele. Cuidar da visão é preservar a qualidade de vida no presente e no futuro.