Saúde
Dengue avança nas Américas e já soma 13 milhões de casos em meio à crise climática
Opas alerta para mais de 8 mil mortes em 2024 e defende abordagem integrada para conter doenças transmitidas por mosquitos
10/04/2026 20h27
Por: Fonte: Rádio Agência
Frame EBC

As Américas registraram cerca de 13 milhões de casos de dengue e mais de oito mil mortes apenas em 2024, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde. O avanço da doença no continente acendeu um alerta internacional, com especialistas apontando as mudanças climáticas como principal fator para a escalada dos números.

O tema foi destaque durante a Cúpula “Uma Só Saúde”, realizada em Lyon, evento que reuniu autoridades e especialistas para discutir estratégias globais de enfrentamento às ameaças sanitárias, em alusão ao Dia Mundial da Saúde.

Dengue deixa de ser doença tropical

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde, a dengue já não pode mais ser considerada uma doença restrita a regiões tropicais. O aumento da temperatura global, aliado a mudanças no regime de chuvas e à expansão urbana desordenada, tem ampliado o alcance do mosquito transmissor.

O Aedes aegypti encontra, nesse cenário, condições ideais para se reproduzir, avançando para áreas onde antes não conseguia sobreviver. Com isso, doenças como dengue, zika, chikungunya, febre amarela e oropouche passam a atingir novas populações.

Especialistas classificam a dengue como um verdadeiro “termômetro da crise climática”, refletindo os impactos diretos das mudanças ambientais na saúde pública.

Continua após a publicidade

SERVIÇO

Quer receber notícias em tempo real?

Participe gratuitamente do nosso canal no WhatsApp e fique informado com rapidez e credibilidade.

Acesse o canal →

Mudanças climáticas impulsionam epidemias

O aumento das temperaturas acelera o ciclo de vida do mosquito e favorece sua proliferação. Já as chuvas irregulares contribuem para o acúmulo de água parada, criando mais criadouros.

Além disso, a urbanização sem planejamento adequado amplia os riscos, especialmente em áreas com saneamento precário e alta densidade populacional.

Esse conjunto de fatores tem transformado a dinâmica das doenças transmitidas por vetores, exigindo novas estratégias de controle e prevenção.

Conceito de ‘Saúde Única’ ganha força

Diante desse cenário, o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde, Jarbas Barbosa, defende a adoção do conceito de “Saúde Única”.

A abordagem integra ações nas áreas de saúde humana, animal e ambiental, reconhecendo a interdependência entre esses fatores.

“Este é o melhor jeito de responder aos atuais desafios que temos agora, como as doenças transmitidas por vetores e outras doenças na nossa região das Américas, mas também para estar preparado para a próxima pandemia”, afirmou.

A proposta busca ampliar a capacidade de resposta dos países diante de crises sanitárias cada vez mais complexas e interligadas.

Meta é eliminar doenças até 2030

A Organização Pan-Americana da Saúde estabeleceu uma meta ambiciosa: eliminar mais de 30 doenças transmissíveis nas Américas até 2030.

Para alcançar esse objetivo, será necessário fortalecer sistemas de saúde, ampliar ações de vigilância epidemiológica e investir em prevenção, especialmente no combate ao mosquito transmissor.

A cooperação internacional também é considerada fundamental, já que doenças como a dengue não respeitam fronteiras.

Desafio global exige ação coordenada

O avanço da dengue nas Américas reforça a necessidade de ações coordenadas entre governos, instituições de saúde e a população.

Medidas simples, como eliminar água parada, continuam sendo essenciais, mas especialistas alertam que isso não é suficiente diante das mudanças climáticas em curso.

O cenário atual exige políticas públicas mais amplas, que integrem saúde, meio ambiente e planejamento urbano.

Enquanto isso, os números seguem em alta, colocando a dengue no centro das preocupações sanitárias globais e evidenciando os impactos diretos da crise climática na vida das populações.