A Prefeitura de Dourados, no Mato Grosso do Sul, instituiu o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE) para reforçar o enfrentamento à epidemia de chikungunya no município. A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 610, assinado pelo prefeito Marçal Filho e publicado em edição extraordinária do Diário Oficial durante o feriado da Sexta-Feira Santa. A criação do comitê ocorre em meio ao aumento expressivo de casos da doença, que já soma milhares de notificações e mortes confirmadas, principalmente na Reserva Indígena.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o município vive um cenário de alto risco epidemiológico, com taxa de positividade de 74,9% e registro de cinco óbitos confirmados. Além disso, outros dois casos de morte seguem sob investigação. O avanço da doença levou à necessidade de uma estrutura permanente e integrada para coordenar as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti e assistência à população.
O COE já iniciou suas atividades com reuniões diárias entre representantes de diversos órgãos municipais, estaduais e federais. Os encontros acontecem sempre às 7h30 e têm como objetivo avaliar as ações realizadas, definir estratégias imediatas e planejar medidas de curto prazo.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, que também coordena o centro, o modelo adotado permite respostas rápidas conforme o avanço da doença.
“O Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública tem a finalidade de coordenar, planejar, monitorar e avaliar as ações de resposta à emergência. Poderemos adotar medidas dependendo do comportamento da epidemia, sempre com base em dados concretos”, afirmou.
SERVIÇO
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Acesse o canal →O COE utiliza o Sistema de Comando de Incidentes (SCI), que permite uma estrutura flexível e adaptável à evolução do cenário epidemiológico.
Entre as principais atribuições do centro estão a elaboração do Plano de Ação do Incidente (PAI), o monitoramento contínuo dos dados epidemiológicos e a coordenação das ações de vigilância em saúde. O órgão também atua na articulação da rede de atendimento, integrando serviços de saúde, assistência social, defesa civil e saneamento.
Além disso, o COE será responsável por divulgar boletins informativos, relatórios técnicos e orientar a população sobre medidas de prevenção, garantindo transparência nas informações.
“A estrutura permite um comando unificado, com definição clara de operações, planejamento e comunicação. Isso é essencial para reduzir o número de casos e controlar a doença”, destacou Márcio Figueiredo.
Dados mais recentes apontam que Dourados já registra mais de 2,6 mil casos prováveis de chikungunya, com mais de 1,3 mil confirmações e centenas de casos ainda em investigação. A maior concentração ocorre na Reserva Indígena, onde também foram registrados todos os óbitos confirmados até o momento.
A situação é agravada por fatores como dificuldades no abastecimento de água, que levam ao armazenamento inadequado e favorecem a proliferação do mosquito transmissor.
O COE é composto por representantes de diversos setores, incluindo vigilância em saúde, atenção básica, gestão administrativa, assistência social, defesa civil, hospitais, além de órgãos estaduais e federais, como o Ministério da Saúde e a Secretaria Especial de Saúde Indígena.
Essa integração permite ampliar a capacidade de resposta e garantir ações mais eficazes no combate à doença.
O Centro de Operações de Emergências funcionará em regime contínuo enquanto durar a situação de emergência sanitária. As atividades podem ocorrer de forma presencial, híbrida ou remota, garantindo flexibilidade na atuação.
Todos os registros das ações serão documentados por meio de relatórios técnicos e informes epidemiológicos, assegurando transparência e rastreabilidade das decisões.
As autoridades de saúde reforçam que o combate ao mosquito Aedes aegypti continua sendo a principal forma de prevenção da chikungunya. A população deve eliminar possíveis criadouros, como recipientes com água parada, pneus, garrafas e caixas d’água destampadas.
Em caso de sintomas como febre alta e dores intensas nas articulações, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde e evitar a automedicação.