A FDA aprovou, nesta semana, um novo medicamento oral para perda de peso, ampliando o leque de opções no tratamento da obesidade. O comprimido, chamado Foundayo, é produzido pela Eli Lilly e surge como uma alternativa aos já conhecidos remédios injetáveis à base de GLP-1, usados por milhões de pessoas no mundo.
A novidade foi anunciada na quarta-feira (1º) e marca a aprovação do segundo comprimido desse tipo nos Estados Unidos, consolidando uma nova fase no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. A principal promessa do novo medicamento é a praticidade: diferente de concorrentes, ele pode ser ingerido a qualquer hora do dia, sem restrições relacionadas à alimentação.
Segundo o diretor científico da empresa, Dan Skovronsky, o objetivo foi facilitar a rotina dos pacientes. “Nós realmente projetamos isso para se encaixar na vida das pessoas da maneira mais fácil possível”, afirmou.
Até então, os tratamentos mais populares para perda de peso à base de GLP-1 eram administrados por meio de injeções semanais, como Zepbound e Mounjaro, também da Eli Lilly, além dos concorrentes Wegovy e Ozempic, da Novo Nordisk.
Esses medicamentos revolucionaram o tratamento da obesidade nos últimos anos ao imitar o hormônio GLP-1, responsável por regular o apetite, a digestão e os níveis de insulina no organismo.
A chegada do Foundayo, no entanto, representa um avanço importante ao eliminar a necessidade de injeções, o que pode atrair pacientes que resistem ao uso de agulhas ou que buscam mais comodidade no tratamento.
Outro diferencial é a flexibilidade no uso. Enquanto o comprimido concorrente do Wegovy precisa ser tomado em jejum, com intervalo de pelo menos 30 minutos antes de qualquer ingestão de alimentos ou líquidos, o novo medicamento da Eli Lilly não exige esse tipo de cuidado.
Os estudos que embasaram a aprovação do medicamento indicam resultados promissores. Pacientes que utilizaram a dose mais alta do Foundayo perderam, em média, cerca de 12% do peso corporal ao longo de 72 semanas.
Em comparação, indivíduos que receberam placebo tiveram redução de apenas 0,9% no mesmo período.
Apesar disso, os medicamentos injetáveis ainda apresentam resultados mais expressivos em alguns casos. Estudos clínicos apontam que esses tratamentos podem levar a uma perda superior a 20% do peso corporal.
Já o comprimido de Wegovy demonstrou perda média de até 17% na dose mais alta, segundo dados divulgados pela Novo Nordisk.
Outro ponto relevante é o impacto no acesso ao tratamento. O custo dos medicamentos sempre foi um dos principais entraves para pacientes com obesidade, especialmente nos Estados Unidos.
O Foundayo deve custar até US$ 349 por mês (cerca de R$ 1.800), podendo cair para US$ 299 com renovação da receita dentro de 45 dias. Em doses menores, o valor pode ser ainda mais acessível.
Além disso, a empresa anunciou programas de desconto que permitem que pacientes com planos de saúde privados paguem cerca de US$ 25 mensais (aproximadamente R$ 128).
Há ainda previsão de cobertura parcial pelo sistema público americano, o Medicare, com coparticipação de até US$ 50 por mês para alguns pacientes, a partir de julho.
Segundo Skovronsky, a intenção é democratizar o acesso ao tratamento. “Queremos realmente democratizar o tratamento da obesidade e do sobrepeso para os milhões de americanos que precisam dele”, destacou.

Assim como outros medicamentos da classe GLP-1, o Foundayo pode causar efeitos colaterais, principalmente no sistema gastrointestinal. Entre os mais comuns estão náuseas, constipação e desconfortos digestivos.
Alguns pacientes também relataram queda de cabelo durante o uso.
O medicamento foi aprovado apenas para adultos e ainda não possui estudos suficientes que comprovem sua segurança em crianças ou durante a gestação. Além disso, a fabricante alerta que o uso pode interferir na eficácia de pílulas anticoncepcionais, sendo necessária orientação médica.
A aprovação do Foundayo ocorre em um momento de crescente demanda por soluções eficazes contra a obesidade, condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e está associada a doenças como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares.
Especialistas avaliam que a chegada de versões em comprimido pode ampliar significativamente o alcance desses tratamentos, especialmente entre pacientes com quadros menos graves ou que buscam alternativas mais práticas.
Mesmo com os avanços, médicos reforçam que o uso desses medicamentos deve ser acompanhado por profissionais de saúde e aliado a mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada e prática de atividades físicas.

A Eli Lilly informou que o Foundayo estará disponível inicialmente por meio de entrega domiciliar a partir de 6 de abril, com expansão gradual para farmácias e plataformas de telemedicina.
A expectativa é de que o mercado de medicamentos para emagrecimento continue em expansão, com novas opções sendo desenvolvidas e aprovadas nos próximos anos.
Enquanto isso, a concorrência entre gigantes farmacêuticas como Eli Lilly e Novo Nordisk deve impulsionar inovações, reduzir preços e ampliar o acesso aos tratamentos.