A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso emitiu nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, uma comunicação de risco para alertar a população sobre a possibilidade de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas durante o carnaval. Embora não haja registro de novos casos confirmados no Estado há mais de 30 dias, a medida preventiva ocorre em um período de aumento significativo no consumo de destilados e drinks vendidos por ambulantes. Entre novembro e dezembro de 2025, Mato Grosso confirmou seis casos de intoxicação por metanol, com quatro óbitos.
A pasta reforça que não há surto ativo no momento, mas mantém monitoramento intensificado e ações de vigilância em todo o território estadual.
Até esta sexta-feira, o Estado registrou seis casos confirmados de intoxicação por metanol. Desses, quatro evoluíram para óbito entre novembro e dezembro de 2025.
O cenário mobilizou autoridades sanitárias, que seguem acompanhando a situação mesmo sem novos registros recentes. A estratégia é atuar preventivamente, sobretudo em períodos festivos como o carnaval, quando o consumo de bebidas alcoólicas cresce consideravelmente.
A Perícia Oficial e Identificação Técnica identificou a presença de metanol em 11 lotes de whisky apreendidos em Mato Grosso. São eles:
LKVV6434
LKVV0636
LKVV2865
LKVV4792
LKVV7186
LKVV3017
LKVV4083
LKVV5373
LKVW0158
LKVW0027
LKVW1413
Em análise pericial, foi confirmado que alguns desses lotes continham cerca de 35% de metanol — substância altamente tóxica e imprópria para consumo humano.
O metanol, diferentemente do etanol presente nas bebidas alcoólicas regulamentadas, pode causar danos graves ao organismo, incluindo cegueira irreversível e morte.
O responsável técnico pelo Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde de Mato Grosso, Menandes Alves de Souza Neto, reforçou que, apesar da ausência de surto ativo, o período exige cautela.
“Os cidadãos devem consumir bebidas alcoólicas adquiridas apenas em estabelecimentos regulares e evitar produtos de procedência duvidosa ou sem rótulo adequado. Também é preciso desconfiar de preços muito inferiores ao de mercado ou de bebidas sem identificação clara de lote e fabricante”, afirmou.
A recomendação inclui atenção redobrada com bebidas destiladas como vodka, whisky e gin, além de drinks preparados por ambulantes sem garantia de procedência.
A Secretaria orienta que o consumidor verifique sempre rótulo, lote e data de fabricação antes de ingerir qualquer bebida alcoólica.
Em caso de sintomas após o consumo de bebidas alcoólicas, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde.
Os sinais de alerta incluem:
visão turva
dor abdominal intensa
tontura
confusão mental
A rapidez no atendimento é fundamental para evitar complicações graves.
Segundo a SES, os antídotos necessários para tratamento estão disponíveis de forma estratégica e descentralizada por regional de saúde, permitindo atendimento precoce em casos suspeitos.
“Para garantir o atendimento imediato, os antídotos necessários foram disponibilizados de forma estratégica e descentralizada por regional de saúde, permitindo que os casos suspeitos recebam tratamento precocemente em todo o Estado”, concluiu Menandes.
O monitoramento envolve atuação coordenada entre diversos órgãos.
O Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs) coordena a investigação dos casos, orienta profissionais sobre condutas clínicas e exames necessários e aciona o Laboratório Central de Saúde Pública de Mato Grosso para análise laboratorial.
O trabalho também conta com o suporte do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Cuiabá, que presta orientação especializada em toxicologia.
Além disso, a Vigilância Sanitária Estadual atua em conjunto com vigilâncias municipais, a Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor e o Ministério da Agricultura e Pecuária para inspeção de estabelecimentos e apreensão de produtos suspeitos.
A parceria com a Politec garante a realização das análises laboratoriais das bebidas apreendidas.
O Cievs mantém ainda um Painel de Monitoramento atualizado periodicamente para garantir transparência e acesso da população e da imprensa a dados oficiais.
O carnaval é um período marcado por celebrações e aumento significativo do consumo de bebidas alcoólicas. Nesse cenário, a circulação de produtos falsificados ou adulterados representa risco concreto à saúde pública.
A SES reforça que a prevenção é a principal aliada. Comprar apenas em estabelecimentos regularizados, evitar ofertas muito abaixo do preço de mercado e desconfiar de embalagens sem identificação clara são atitudes simples que podem salvar vidas.
Mesmo sem novos casos há mais de um mês, o alerta permanece ativo como medida preventiva.
O objetivo é evitar que episódios registrados no fim de 2025 se repitam em um período de grande movimentação social e turística.