Exploração espacial
Nasa lança missão Artemis II com astronautas e dá passo histórico rumo ao retorno à Lua
Após atrasos e testes rigorosos, missão leva quatro tripulantes para sobrevoo lunar e prepara caminho para pouso humano nos próximos anos
01/04/2026 23h07
Por: Fonte: G1
Foto: REUTERS/Brendan McDermid/g1

A NASA iniciou na noite desta quarta-feira (1º) a missão Artemis II, marcando o primeiro voo tripulado do novo programa lunar após mais de 50 anos. Com quatro astronautas a bordo da cápsula Orion, impulsionada pelo foguete Space Launch System, a missão representa um passo decisivo para o retorno de humanos à Lua.


Missão histórica marca nova era da exploração espacial

Diferentemente da missão Artemis I, realizada em 2022, desta vez há astronautas a bordo. A viagem terá duração aproximada de dez dias e não prevê pouso lunar, mas sim um sobrevoo ao redor do satélite natural da Terra.

A previsão é que a cápsula alcance a órbita lunar na próxima segunda-feira, 6 de abril de 2026. Durante esse período, a tripulação realizará uma série de testes fundamentais em ambiente de espaço profundo, longe da influência direta da Terra.

O administrador da NASA, Jared Isaacman, destacou a importância da missão ao afirmar que “é o primeiro passo, uma missão de teste. Nunca houve humanos voando nesse sistema antes”.

Segundo ele, o objetivo principal é garantir a segurança e eficiência da nave antes de futuras missões que incluirão pouso na superfície lunar.

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Quem são os astronautas da missão

A missão Artemis II conta com uma tripulação internacional composta por quatro astronautas experientes:

Entre os destaques, Christina Koch será a primeira mulher a participar de uma missão ao redor da Lua, enquanto Victor Glover se torna o primeiro homem negro a integrar esse tipo de voo.

Os astronautas serão também os primeiros humanos a se afastar tanto da Terra desde as missões do programa Apollo.


Como será o voo ao redor da Lua

A missão começa com o lançamento a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Após a decolagem, a cápsula Orion entra em órbita terrestre, onde permanecerá por cerca de 24 horas para checagens iniciais.

Durante essa fase, os astronautas irão assumir o controle manual da nave em um teste inédito, simulando manobras importantes para futuras missões, como acoplamentos em órbita.

Em seguida, a nave seguirá em direção à Lua, realizando um sobrevoo pelo lado oculto — região que não é visível da Terra. Nesse momento, a comunicação com o planeta será interrompida por até 50 minutos.

Após contornar o satélite, a cápsula atingirá uma distância de aproximadamente 7.500 km além da Lua, estabelecendo um novo recorde de distância percorrida por humanos no espaço.


Retorno à Terra será guiado pela gravidade

Um dos aspectos mais inovadores da missão é a chamada trajetória de “retorno livre”. Nesse modelo, a cápsula aproveita a gravidade da Terra e da Lua para retornar sem necessidade de grandes manobras de propulsão.

Ao todo, a Orion percorrerá mais de 2,2 milhões de quilômetros durante a missão. O retorno à Terra será um dos momentos mais críticos, com reentrada na atmosfera a cerca de 40 mil km/h.

O escudo térmico da nave enfrentará temperaturas próximas a 3.000 graus Celsius antes da amerissagem no Oceano Pacífico, onde a cápsula será recuperada.


O que é o programa Artemis

O programa Artemis é a principal iniciativa da NASA para retomar a exploração lunar tripulada.

Inspirado nas missões Apollo, o projeto tem como objetivo levar “a primeira mulher e a primeira pessoa de cor” à Lua ainda nesta década.

A Artemis II é a segunda etapa desse plano. Já a missão Artemis III deve marcar o retorno efetivo de astronautas à superfície lunar, algo que não acontece desde a Apollo 17, em 1972.

Além disso, a NASA planeja estabelecer presença permanente na Lua e utilizar o satélite como base para futuras missões tripuladas a Marte.


Tecnologia por trás da missão

O foguete Space Launch System é peça central da missão. Com 98 metros de altura, ele é considerado o mais poderoso já construído pela agência espacial.

Seu empuxo equivale ao de 14 aviões comerciais do modelo Boeing 747, garantindo potência suficiente para levar a cápsula Orion além da órbita terrestre.

Já a cápsula Orion foi projetada para suportar condições extremas do espaço profundo. Ela conta com sistemas avançados de suporte de vida, navegação e comunicação.

Um dos componentes mais importantes é o Módulo de Serviço Europeu, desenvolvido pela Agência Espacial Europeia em parceria com a Airbus, responsável por fornecer energia, propulsão e recursos essenciais à tripulação.


Atrasos e desafios antes do lançamento

A missão Artemis II enfrentou diversos atrasos antes de sair do papel. Segundo a NASA, a decisão foi priorizar a segurança máxima da tripulação.

Um dos principais problemas identificados após a Artemis I foi no escudo térmico da cápsula Orion. Mais de 100 pontos de desgaste foram registrados, exigindo testes adicionais e ajustes no projeto.

Além disso, vazamentos de hidrogênio e hélio foram detectados durante testes técnicos, o que levou ao adiamento do lançamento e à realização de reparos.

As condições climáticas também influenciaram o cronograma. Uma onda de frio na Flórida interrompeu testes importantes, relembrando riscos históricos como o desastre do Challenger.

O gerente da missão, John Honeycutt, resumiu a postura da agência ao afirmar: “Vamos voar quando estivermos prontos. A segurança da tripulação será nossa prioridade número um”.


Próximos passos rumo à Lua e Marte

Se bem-sucedida, a Artemis II abrirá caminho para uma nova fase da exploração espacial. A missão Artemis III deverá levar astronautas à superfície lunar, incluindo o inédito pouso no polo sul da Lua.

No longo prazo, a NASA pretende construir a estação espacial lunar Gateway, que servirá como base para missões mais complexas.

O objetivo final é transformar a Lua em um ponto estratégico para futuras viagens a Marte, consolidando uma nova era da presença humana no espaço.