Coração
Estudo aponta que natação pode fortalecer mais o coração do que corrida
Pesquisa brasileira indica que exercício na água promove adaptações mais eficientes no músculo cardíaco
28/03/2026 16h32
Por: Fonte: G1
Foto: Kindel Media

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que a natação pode ser mais eficaz do que a corrida para o fortalecimento do coração. A pesquisa, realizada com ratos, indica que o exercício aquático promove adaptações mais robustas no músculo cardíaco, ampliando sua eficiência e capacidade de contração.

Reconhecida como uma das atividades físicas mais completas, a natação já era associada a benefícios como melhora da postura, fortalecimento muscular e aumento da capacidade respiratória. Agora, o estudo sugere que seus efeitos sobre o coração podem ser ainda mais relevantes.


Natação mostrou resultados superiores

De acordo com o coordenador da pesquisa, o professor Andrey Jorge Serra, tanto a corrida quanto a natação contribuem para a saúde cardiorrespiratória, mas o exercício na água apresentou vantagens significativas.

“Descobrimos que, embora ambas aumentem a capacidade respiratória, a natação vai além, combinando adaptações funcionais e moleculares que tornam o coração mais forte e eficiente”, explicou.


Alterações moleculares explicam benefício

O diferencial da natação está relacionado à atuação sobre os chamados microRNAs, que controlam a produção de proteínas essenciais ao funcionamento do organismo.

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Essas moléculas regulam os RNAs mensageiros e influenciam diretamente adaptações no coração.

Segundo os pesquisadores, a natação promove uma modulação mais intensa desses microRNAs, o que contribui para melhorias estruturais no músculo cardíaco.


Crescimento saudável do coração

Outro ponto observado foi o aumento do ventrículo esquerdo, uma adaptação comum em atividades de resistência.

De acordo com Serra, esse crescimento está ligado à ativação de vias moleculares específicas, como a via PI3K/AKT.

“O principal fator pode ter sido uma maior ativação dessa via. A natação também causou uma modulação mais intensa nos microRNAs, mais expressos no miocárdio”, afirmou.

FOTO: CRISTIAN CAMILO ESTRADA

Como foi feito o estudo

Para comparar os efeitos das atividades, os pesquisadores submeteram ratos a oito semanas de treinamento.

Os animais foram divididos em três grupos:

Os exercícios foram realizados cinco vezes por semana, com sessões de 60 minutos.

A intensidade foi medida pelo consumo máximo de oxigênio, indicador que avalia a capacidade do organismo de utilizar oxigênio durante o esforço físico.


Resultados mostram diferença importante

Os resultados indicaram que tanto a corrida quanto a natação melhoraram a aptidão física dos animais, com aumento superior a 5% no consumo de oxigênio.

No entanto, apenas a natação promoveu mudanças estruturais relevantes no coração.

“Apenas a natação promoveu aumento da massa e do tamanho das células cardíacas e melhorou de forma mais robusta a função do miocárdio”, destacou o pesquisador.

Foto: Kindel Media

Limitações do estudo

Apesar dos resultados promissores, os cientistas ressaltam que o estudo foi realizado em animais, o que limita a aplicação direta em humanos.

Diferenças genéticas, fisiológicas e moleculares entre espécies podem influenciar os resultados.

Ainda assim, os pesquisadores acreditam que os efeitos observados podem se repetir em pessoas.


Próximos passos da pesquisa

Para confirmar os benefícios em humanos, será necessário realizar estudos clínicos comparando diretamente as duas modalidades.

“Para verificar esses efeitos, é necessária a realização de um estudo clínico comparando as duas modalidades e explorar as diferenças estruturais, funcionais e moleculares”, concluiu Andrey Serra.