O Ministério da Saúde confirmou a sétima morte por chikungunya em Mato Grosso do Sul. A vítima é uma mulher de aproximadamente 80 anos, moradora do município de Jardim, localizado a cerca de 239 quilômetros de Campo Grande.
De acordo com dados do painel de arboviroses, a cidade registra cerca de 261 casos prováveis da doença, com incidência de 1.065 casos por 100 mil habitantes, configurando situação de epidemia.
Mato Grosso do Sul acumula atualmente 3.237 casos prováveis de chikungunya, com aumento expressivo nas últimas semanas.
Segundo os dados epidemiológicos, 57% dos casos são registrados em mulheres. Já a faixa etária mais afetada é a de pessoas entre 30 e 40 anos.
Além disso, cerca de 11 municípios do Estado já enfrentam situação de epidemia, o que acende o alerta das autoridades de saúde.
De acordo com o infectologista Júlio Croda, o período de maior incidência da doença ainda deve se prolongar.
“O período de sazonalidade da chikungunya termina apenas entre o fim de abril e a primeira semana de maio. Ainda teremos um mês com aumento do número de casos, hospitalizações e óbitos”, explicou.
Ele também alerta que os casos registrados nas primeiras semanas de março ainda podem refletir em novos óbitos nas próximas semanas.
“Os 966 casos prováveis registrados entre 1° e 15 de março podem repercutir em mais mortes em abril”, completou.
Em Dourados, município com maior número de casos graves, a situação já impacta o sistema de saúde.
Dos 431 leitos disponíveis, 385 estão ocupados, o que representa uma taxa de ocupação de 89%. No dia anterior, esse índice chegou a 97%.
Embora nem todos os pacientes estejam internados por chikungunya, a doença tem contribuído significativamente para a sobrecarga hospitalar.
Apesar do aumento dos casos, especialistas avaliam que não há, até o momento, indícios de uma disseminação generalizada em todo o Estado.
Segundo Júlio Croda, a tendência é de concentração da epidemia na região cone-sul de Mato Grosso do Sul.
Outras cidades apresentam cenário mais controlado, como Campo Grande.
Na capital, uma das estratégias que contribuem para o controle da doença é o uso do método Wolbachia.
A técnica consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento de vírus como dengue, zika, chikungunya e febre amarela no inseto.
Com o tempo, esses mosquitos se reproduzem e formam uma população menos capaz de transmitir doenças, reduzindo a necessidade de novas liberações.
Diante do cenário, autoridades reforçam a importância das medidas preventivas, como:
A população deve permanecer atenta, especialmente neste período de altas temperaturas e chuvas, que favorecem a proliferação do mosquito transmissor.