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Saúde e política

Bolsonaro deixa UTI em Brasília após melhora, mas segue internado sem previsão de alta

Ex-presidente apresenta evolução clínica após pneumonia bacteriana, enquanto STF analisa pedido de prisão domiciliar humanitária

24/03/2026 14h11
Por: Redação
Fonte: Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital DF Star, em Brasília, após apresentar melhora no quadro de saúde decorrente de uma pneumonia bacteriana bilateral. Apesar da evolução clínica, ele permanece internado, sem previsão de alta, conforme boletim médico divulgado nesta terça-feira (24). A situação ocorre em meio a um cenário jurídico delicado, com análise em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre um pedido de prisão domiciliar por razões humanitárias.

Segundo o boletim, Bolsonaro segue sob tratamento intensivo com antibioticoterapia endovenosa, além de suporte clínico e sessões de fisioterapia respiratória e motora. A equipe médica destaca que, embora o paciente tenha deixado a UTI, o quadro ainda exige cuidados hospitalares contínuos.

O documento é assinado por uma equipe multidisciplinar composta pelo cirurgião-geral Cláudio Birolini, pelos cardiologistas Leandro Echenique e Brasil Caiado, além do gerente médico Wallace S. Padilha e do diretor-geral do hospital, Allisson Barcelos Borges.

Evolução do quadro clínico

A internação do ex-presidente teve início no dia 13 de março, após ele apresentar sintomas como febre alta, queda na saturação de oxigênio, sudorese e calafrios. Na ocasião, Bolsonaro foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao hospital DF Star, na capital federal.

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O diagnóstico apontou pneumonia bacteriana bilateral, decorrente de um episódio de broncoaspiração — condição em que secreções ou alimentos são aspirados para os pulmões, podendo causar infecções graves. O caso exigiu internação imediata em unidade de terapia intensiva, onde ele permaneceu por vários dias sob monitoramento constante.

A saída da UTI representa um avanço no tratamento, indicando resposta positiva às intervenções médicas. Ainda assim, os profissionais responsáveis ressaltam que o quadro requer continuidade no acompanhamento hospitalar, sobretudo devido à complexidade da infecção pulmonar.

Tratamento e cuidados médicos

O tratamento adotado inclui antibióticos administrados por via intravenosa, estratégia comum em casos mais severos de infecção bacteriana. Além disso, Bolsonaro realiza fisioterapia respiratória, fundamental para recuperar a capacidade pulmonar, e fisioterapia motora, voltada à manutenção das funções físicas após o período de imobilização.

Especialistas apontam que quadros de pneumonia bilateral podem demandar recuperação prolongada, especialmente em pacientes com histórico de saúde delicado ou comorbidades. A ausência de previsão de alta reforça a necessidade de cautela no processo de recuperação.

Contexto jurídico e prisão domiciliar

Paralelamente ao tratamento médico, o caso de Bolsonaro também mobiliza o sistema judiciário. Na segunda-feira (23), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, encaminhou ao STF um parecer favorável à concessão de prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente.

O pedido será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal de Bolsonaro na Corte. A decisão levará em consideração o estado de saúde do ex-presidente, além das condições de cumprimento da pena.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados. Antes da internação, ele estava detido no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, mais especificamente na unidade conhecida como Papudinha.

A possibilidade de conversão da pena para regime domiciliar humanitário está prevista na legislação brasileira em casos de enfermidades graves que não possam ser tratadas adequadamente no sistema prisional.

Impactos políticos e repercussão

A internação de Bolsonaro e o pedido de prisão domiciliar ocorrem em um momento de forte polarização política no país. Mesmo fora do cenário eleitoral direto, o ex-presidente continua sendo uma figura central no debate público, com influência significativa entre seus apoiadores.

A evolução de seu estado de saúde e as decisões judiciais relacionadas ao caso tendem a repercutir amplamente no meio político, podendo influenciar articulações e estratégias de grupos aliados.

Além disso, o episódio reacende discussões sobre o tratamento de presos em situações de saúde delicada, especialmente quando se trata de figuras públicas de grande visibilidade.

Sistema prisional e saúde

O caso também traz à tona o debate sobre as condições de atendimento médico no sistema penitenciário brasileiro. Embora existam unidades com suporte básico de saúde, especialistas frequentemente apontam limitações na capacidade de lidar com casos mais complexos, como infecções graves ou doenças crônicas.

A eventual concessão de prisão domiciliar para Bolsonaro poderá reforçar precedentes jurídicos relacionados à saúde de detentos, impactando decisões futuras em casos semelhantes.

Expectativas para os próximos dias

Nos próximos dias, a expectativa gira em torno de dois fatores principais: a evolução do quadro clínico do ex-presidente e a decisão do STF sobre o pedido de prisão domiciliar.

Do ponto de vista médico, a continuidade do tratamento e a resposta do organismo serão determinantes para definir o tempo de internação. Já no campo jurídico, a análise do ministro Alexandre de Moraes poderá estabelecer novos desdobramentos no cumprimento da pena.

Enquanto isso, Bolsonaro permanece sob cuidados médicos, com acompanhamento constante da equipe hospitalar.

Histórico recente de saúde

Nos últimos anos, Bolsonaro já enfrentou outros problemas de saúde, muitos deles relacionados às complicações decorrentes da facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018. Desde então, passou por diversas internações e procedimentos cirúrgicos.

Esse histórico contribui para aumentar a atenção em relação ao atual quadro clínico, considerado delicado, embora em processo de melhora.

Considerações finais

A saída da UTI representa um passo importante na recuperação do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas o cenário ainda exige cautela. A combinação entre o tratamento médico em curso e as decisões judiciais pendentes mantém o caso em destaque no noticiário nacional.

A evolução dos próximos dias será decisiva tanto para a saúde do ex-presidente quanto para os desdobramentos legais que envolvem o cumprimento de sua pena.

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