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COP15

Lula amplia áreas protegidas no Pantanal e cria nova reserva no Cerrado com mais de 148 mil hectares

Medidas anunciadas durante a COP15 reforçam proteção da biodiversidade, recursos hídricos e comunidades tradicionais no Brasil

22/03/2026 23h53
Por: Redação
Fonte: Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
Foto: Ueslei Marcelino/MMA
Foto: Ueslei Marcelino/MMA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou neste domingo (22) a ampliação de áreas protegidas no Pantanal Matogrossense e a criação de uma nova unidade de conservação no Cerrado mineiro. Ao todo, mais de 148 mil hectares passam a contar com proteção ambiental, em uma medida considerada estratégica para a preservação da biodiversidade e o fortalecimento de compromissos internacionais do Brasil.

O anúncio foi feito durante o Segmento de Alto Nível da COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, realizado em Campo Grande (MS), reunindo autoridades nacionais e internacionais para debater a conservação de espécies silvestres.

A iniciativa envolve a ampliação do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e da Estação Ecológica do Taiamã, no Mato Grosso, além da criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas Gerais.

Expansão no Pantanal fortalece proteção do bioma

As duas unidades de conservação ampliadas no Pantanal somam 104,2 mil hectares adicionais sob proteção. A Estação Ecológica do Taiamã teve sua área expandida de 11,5 mil para 68,5 mil hectares, enquanto o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense passou de 135,9 mil para 183,1 mil hectares.

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Com isso, o percentual de áreas protegidas no bioma sobe de 4,7% para 5,4%, aproximando-se de recomendações internacionais para conservação de ecossistemas.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou que a medida é resultado de um esforço coletivo e baseado em evidências técnicas.

“A ampliação das UCs no Pantanal é fruto da mobilização de uma ampla rede de parceiros comprometidos com a proteção do bioma, formada por governos, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil, comunidades tradicionais e diversos atores que atuam de forma articulada no território. Trata-se de uma medida construída com base em evidências técnicas, escuta qualificada e cooperação institucional consistente”, afirmou.

Segundo a ministra, a iniciativa reforça a proteção de áreas essenciais para o chamado pulso de inundação do Pantanal, fenômeno responsável por sustentar a biodiversidade e regular ciclos ecológicos.

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Bioma estratégico para biodiversidade global

O Pantanal é considerado uma das maiores áreas úmidas do planeta e abriga uma rica diversidade de espécies, muitas delas ameaçadas de extinção, como a onça-pintada, o tatu-canastra, a ariranha e o cervo-do-pantanal.

Além disso, o bioma está situado em uma importante rota de espécies migratórias, o que reforça sua relevância no contexto da COP15.

A região também é reconhecida internacionalmente: integra áreas protegidas pela Convenção de Ramsar e faz parte do sítio “Área de Conservação do Pantanal”, declarado Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO desde 2000.

Nova reserva no Cerrado alia conservação e inclusão social

Além das medidas no Pantanal, o governo federal anunciou a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas Gerais, com 40,8 mil hectares.

A nova unidade de conservação abrange os municípios de Riacho dos Machados, Rio Pardo de Minas e Serranópolis de Minas, com foco na proteção do Cerrado e no fortalecimento das comunidades tradicionais da região.

A ministra Marina Silva destacou o caráter social da iniciativa:

“Igualmente importante é a criação da nova UC no Cerrado, que alia justiça social e conservação e foi construída com a participação direta das comunidades geraizeiras.”

A área protege nascentes importantes, territórios de extrativismo e garante o acesso das populações locais aos recursos naturais, promovendo o desenvolvimento sustentável.

Compromissos internacionais e liderança ambiental

O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e presidente designado da COP15, João Paulo Capobianco, ressaltou que as medidas reforçam o papel do Brasil na agenda ambiental global.

“Os anúncios feitos hoje pelo presidente Lula representam imenso avanço na implementação dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no âmbito da Convenção sobre Espécies Migratórias e de outros acordos multilaterais ambientais, reforçando nosso papel de liderança global na proteção de habitats críticos.”

Ele destacou ainda que a ampliação das áreas protegidas contribui para enfrentar desafios como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e incêndios.

Foto: Ueslei Marcelino/MMA

 

Impactos econômicos e sociais

Além dos ganhos ambientais, a ampliação das áreas protegidas no Pantanal deve impulsionar a economia regional, especialmente em municípios como Poconé e Cáceres, com benefícios para o turismo ecológico, a pesca sustentável e o aumento da arrecadação via ICMS ecológico.

A medida também fortalece ações de prevenção e combate a incêndios, ampliando brigadas e integrando esforços entre diferentes esferas de governo e a sociedade.

No Cerrado, a criação da nova reserva reconhece a história e os direitos das comunidades geraizeiras, contribuindo para reduzir vulnerabilidades sociais e garantir a permanência dessas populações em seus territórios.

ICMBio destaca responsabilidade ampliada

O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Mauro Pires, afirmou que as ações demonstram o compromisso do governo com a preservação ambiental.

“No Pantanal, a ampliação do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e da Estação Ecológica de Taiamã mostra o compromisso do governo Lula com um bioma ameaçado pelo desmatamento, pela seca e pelos incêndios. No Cerrado, a criação da nova reserva reconhece a importância histórica das comunidades geraizeiras.”

Ele também ressaltou a necessidade de fortalecimento institucional:

“Sabemos que cada nova área protegida também amplia a responsabilidade do ICMBio. Por isso, agradecemos o apoio decisivo da ministra Marina Silva e do presidente Lula para ampliar nossas condições de trabalho, com mais servidores e mais orçamento.”

Foto: Ueslei Marcelino/MMA

 

Avanço na agenda ambiental brasileira

Com a ampliação e criação das novas unidades de conservação, o Brasil dá um passo importante na proteção de seus biomas e na promoção de um modelo de desenvolvimento sustentável.

As medidas reforçam a estratégia do governo de integrar conservação ambiental, inclusão social e crescimento econômico, ao mesmo tempo em que reposicionam o país como protagonista nas discussões globais sobre meio ambiente.

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