Campo Grande MS
Brasil sedia COP15 e reúne líderes globais para debater conservação de espécies migratórias
Conferência internacional em Campo Grande discute cooperação entre países e estratégias baseadas na ciência para proteger animais silvestres
22/03/2026 17h14
Por: Fonte: Rádio Agência
COP15 acontece de 23 a 29 de março. - Foto: Rogério Cassimiro/MMA

A partir desta segunda-feira (23), o Brasil se torna o centro das discussões globais sobre conservação ambiental ao sediar, em Campo Grande (MS), a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, a COP15. O encontro, que segue até o dia 28 de março, reúne representantes de 133 partes — incluindo 132 países e a União Europeia — além de cerca de 2 mil participantes, entre autoridades, cientistas e especialistas.

O evento marca um momento estratégico para o país, que assume a presidência da conferência até a próxima edição, prevista para ocorrer dentro de três anos. Com o tema “Conectando a natureza para sustentar a vida”, a COP15 pretende avançar em decisões globais sobre a proteção de espécies migratórias, seus habitats e as rotas utilizadas ao redor do planeta.

Cooperação internacional é destaque

Ao anunciar a programação da conferência, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que a preservação das espécies migratórias depende diretamente da cooperação entre países.

“As espécies, elas não têm uma governança territorializada, é uma governança em fluxo e, portanto, se não tiver cooperação, se não tiver parceria, fica muito difícil que a gente cuide não só da espécie quanto dos seus habitats. As espécies migratórias também são uma espécie de bioindicadores, nos mostram o quanto determinadas regiões ou países estão vulneráveis ou estão preservados em condições adequadas”, afirmou.

A fala reforça a necessidade de integração entre nações, já que esses animais atravessam fronteiras e dependem de diferentes ecossistemas ao longo de seus ciclos de vida.

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Debates técnicos e baseados na ciência

Segundo Marina Silva, a COP15 será marcada por discussões técnicas, com forte embasamento científico. A proposta é que os países participantes utilizem dados atualizados sobre o estado de conservação das espécies para orientar decisões e políticas públicas.

O encontro deve abordar temas como a degradação de habitats, mudanças climáticas, poluição e os impactos das atividades humanas nas rotas migratórias. Além disso, serão discutidas medidas práticas para garantir a sobrevivência dessas espécies, muitas delas ameaçadas de extinção.

A conferência também busca fortalecer compromissos internacionais e ampliar a implementação de ações conjuntas entre governos, organizações e المجتمع científico.

Imagem: Rádio Ype

Importância das espécies migratórias

As espécies migratórias desempenham papel fundamental nos ecossistemas, contribuindo para o equilíbrio ambiental, a polinização e a dispersão de sementes, além de indicarem a saúde dos ambientes naturais.

Por atravessarem diferentes regiões do mundo, esses animais são especialmente vulneráveis a mudanças ambientais e à ação humana. A perda de habitats, por exemplo, pode comprometer toda a cadeia de deslocamento dessas espécies.

Nesse contexto, especialistas destacam que a proteção desses animais exige uma abordagem global e coordenada, capaz de garantir a preservação não apenas das espécies, mas também dos ecossistemas por onde transitam.

Campo Grande no centro do debate ambiental

A escolha de Campo Grande como sede do evento reforça o papel do Brasil nas discussões ambientais internacionais, especialmente por abrigar biomas ricos em biodiversidade, como o Pantanal.

Durante a semana, a capital sul-mato-grossense se transforma em um espaço de diálogo internacional, reunindo diferentes perspectivas e experiências sobre conservação ambiental.

A expectativa é que a COP15 resulte em avanços concretos nas políticas globais de proteção às espécies migratórias, contribuindo para o fortalecimento da agenda ambiental em um momento de crescentes desafios climáticos e ecológicos.