A Câmara Municipal de Dourados sediou, neste sábado (21), uma coletiva de imprensa para apresentar a atualização das ações de enfrentamento à epidemia de chikungunya no município. O encontro reuniu autoridades municipais, estaduais e federais da área da saúde, que detalharam o cenário atual da doença, medidas adotadas e estratégias emergenciais após a decretação de situação de emergência em saúde pública.
Segundo dados atualizados da Vigilância Epidemiológica, Dourados já contabiliza 1.099 casos notificados de chikungunya, sendo 546 confirmados e outros 380 ainda em investigação. Até o momento, quatro mortes foram confirmadas, todas entre indígenas, incluindo idosos e uma criança de apenas três meses.
A coletiva ocorreu no Plenarinho da Casa de Leis e contou com a presença de representantes de diversas instituições, entre eles o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, a coordenadora estadual de Vigilância Epidemiológica, Daniele Tebet, além de integrantes do Ministério da Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Força Nacional do SUS.
O avanço da chikungunya no município tem gerado preocupação, principalmente devido à rápida disseminação do vírus em áreas indígenas. De acordo com o monitoramento, somente nesses territórios já são 909 casos prováveis e mais de mil notificações.
Durante a coletiva, a presidente da Câmara, vereadora Liandra da Saúde, destacou a importância da transparência e do diálogo com a população.
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Acesse o canal →“A Câmara está cumprindo sua função de promover o diálogo, garantir transparência e aproximar a população das informações oficiais. Esse é um momento que exige união de esforços e respostas rápidas para conter o avanço da doença”, afirmou.
A coordenadora estadual de Vigilância Epidemiológica, Daniele Tebet, ressaltou que o acompanhamento da situação começou ainda nos primeiros registros da doença.
“Desde o início estamos monitorando de perto a situação, especialmente nas reservas indígenas. De forma imediata, deslocamos nossas equipes para Dourados, com o objetivo de garantir uma resposta mais rápida e assertiva. Observamos que a concentração dos casos não está apenas nas aldeias, mas também na área urbana, o que exige atenção redobrada de toda a população”, explicou.
O diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stábeli, destacou que o combate à doença depende diretamente da participação da população, principalmente na eliminação de criadouros do mosquito transmissor.
“O enfrentamento à chikungunya passa, necessariamente, pelo cuidado dentro das casas. A eliminação de água parada em quintais, terrenos e recipientes é uma das medidas mais eficazes para interromper a cadeia de transmissão”, alertou.
Já o médico e chefe de gabinete da presidência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio da Cunha, chamou atenção para os impactos da doença na saúde dos pacientes.
“A chikungunya tem como principal característica dores articulares intensas e persistentes, que podem evoluir para quadros crônicos. Diferentemente da dengue, ela tende a causar maior impacto na qualidade de vida dos pacientes”, explicou.
Ele também reforçou a necessidade de atenção especial aos grupos mais vulneráveis, como idosos, gestantes e crianças.
Representando a Secretaria de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé destacou a importância da atuação conjunta entre instituições.
“A participação dos vereadores e a criação do comitê emergencial demonstram o compromisso do Legislativo com a população indígena. Essa atuação integrada é essencial para que as ações cheguem de forma mais rápida e eficaz às comunidades que mais precisam”, afirmou.
As autoridades reforçaram que a principal forma de conter o avanço da chikungunya é eliminar os focos do mosquito Aedes aegypti, responsável também pela transmissão da dengue e zika.
Entre as orientações estão evitar água parada em recipientes, manter caixas d’água bem vedadas, limpar calhas e descartar corretamente materiais que possam acumular água.
Além disso, a recomendação é que qualquer pessoa com sintomas como febre alta, dores intensas no corpo e nas articulações procure imediatamente atendimento médico.
O secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, destacou o papel do trabalho coletivo no enfrentamento da crise.
“Esse é um momento de união. O fortalecimento do enfrentamento à chikungunya depende da atuação conjunta entre os entes públicos, instituições e, principalmente, da colaboração da população. Cada ação conta para reduzir o avanço da doença em nosso município”, afirmou.
Como parte das ações de enfrentamento, foi criado o Comitê Emergencial de Apoio à Reserva Indígena de Dourados. A iniciativa reúne órgãos públicos e sociedade civil com o objetivo de coordenar ações emergenciais nas aldeias.
O comitê atua no apoio humanitário, na mobilização de doações e no reforço da assistência à saúde, diante das dificuldades enfrentadas pelas comunidades indígenas com o avanço da doença.
Dentro das ações do comitê, foi lançada uma campanha emergencial para arrecadação de itens essenciais, como água, isotônicos, repelentes e alimentos de consumo rápido.
As doações podem ser feitas em diversos pontos da cidade, incluindo a Câmara Municipal de Dourados, a subseção da OAB Dourados/Itaporã, o Corpo de Bombeiros, a ACED e escolas locais.
A iniciativa busca minimizar os impactos da crise sanitária, especialmente nas áreas mais afetadas.