O Rio de Janeiro se tornou a primeira cidade do país a disponibilizar o medicamento Ozempic pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa foi oficializada na quarta-feira (18), quando o prefeito Eduardo Paes realizou um ato simbólico ao aplicar a primeira dose da chamada “caneta emagrecedora” em uma paciente.
A ação marca um passo inédito no enfrentamento da obesidade no Brasil e ocorre em um momento estratégico: a patente da semaglutida, princípio ativo presente no Ozempic e no Wegovy, expira no país nesta sexta-feira (20). Com isso, outras empresas poderão produzir versões do medicamento, o que pode ampliar o acesso no futuro.
Apesar da expectativa de maior concorrência, especialistas apontam que a redução de preços não deve acontecer de forma imediata. Questões regulatórias e a capacidade industrial ainda são obstáculos para a produção em larga escala de versões genéricas.
Durante evento recente ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Paes chegou a defender a ampliação do medicamento para toda a rede pública nacional. A proposta, no entanto, foi tratada com cautela pelo governo federal.
Lula destacou que o uso do medicamento deve ser direcionado a quem realmente necessita, reforçando a importância de mudanças de hábitos. “Tem que ser dado para as pessoas que, por necessidade de saúde, não conseguem emagrecer”, afirmou.
A declaração reacendeu um debate importante entre especialistas da área de saúde. Médicos defendem que a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica, e não como resultado de falta de disciplina ou esforço individual.
A presidente eleita da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade, Cynthia Valério, criticou a visão ainda comum na sociedade.
“Não enxergar o tratamento da obesidade com a seriedade que ele tem que ser visto depois de tantos anos de evolução, sem nenhum tratamento disponível no SUS, e ainda enxergar a obesidade como um problema estético, isso é praticamente criminoso”, afirmou.
Segundo especialistas, medicamentos à base de semaglutida têm apresentado resultados significativos no controle do peso e na melhora de doenças associadas, como diabetes tipo 2.
O Ozempic é um medicamento originalmente indicado para o tratamento do diabetes tipo 2, mas que ganhou notoriedade pelo efeito na perda de peso. Ele atua regulando o apetite e promovendo maior sensação de saciedade.
Já o Wegovy, que possui o mesmo princípio ativo, foi desenvolvido especificamente para o tratamento da obesidade.
A inclusão do medicamento na rede pública municipal representa uma mudança importante na abordagem do problema, ampliando o acesso a terapias modernas que antes estavam restritas a pacientes da rede privada devido ao alto custo.
A decisão da prefeitura do Rio de Janeiro pode servir de modelo para outras cidades e estados, especialmente diante do crescimento dos índices de obesidade no país.
Dados recentes apontam que a obesidade é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, diabetes e outras condições crônicas, o que gera impacto direto nos custos do sistema de saúde.
Com a ampliação do acesso ao tratamento, a expectativa é reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Ainda não há definição sobre uma possível incorporação do medicamento em nível nacional pelo SUS, mas o debate deve ganhar força nos próximos meses, especialmente com o fim da patente da semaglutida.
Enquanto isso, especialistas reforçam que o tratamento da obesidade deve ser multidisciplinar, envolvendo acompanhamento médico, mudanças no estilo de vida e, quando necessário, o uso de medicamentos.