O aumento acelerado de casos de sarampo nas Américas colocou o Brasil em estado de alerta máximo. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) mostram que o continente registrou 14.891 casos da doença no último ano, incluindo 38 no Brasil, número quase 32 vezes maior que o registrado anteriormente. Em 2026, a situação segue preocupante, com mais de 7.145 ocorrências confirmadas até o início de março, o que intensifica a vigilância sanitária e reforça a importância da vacinação.
O salto no número de infecções chama a atenção das autoridades de saúde. Em apenas um ano, os registros passaram de 446 para quase 15 mil casos nas Américas, evidenciando a reintrodução do vírus em diferentes países.
No Brasil, apesar do número ainda relativamente baixo, o cenário exige atenção constante. O primeiro caso de 2026 foi confirmado no início de março, em uma bebê de seis meses no estado de São Paulo, após viagem da família à Bolívia — país que enfrenta um surto ativo da doença.
Esse tipo de ocorrência reforça o risco de importação de casos, considerado hoje um dos principais desafios para o controle do sarampo no território nacional.
De acordo com especialistas, a maioria das infecções registradas no Brasil tem origem externa. Turistas estrangeiros contaminados e brasileiros não vacinados que retornam de viagens internacionais contribuem para a circulação do vírus.
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Acesse o canal →O diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, destacou a vulnerabilidade do país diante desse cenário.
“O Brasil tem um desafio muito grande, que é o fato de nós sermos um país com muitas áreas turísticas que recebem estrangeiros, no nosso litoral, na nossa Amazônia, no nosso Pantanal. Nós recebemos estrangeiros do mundo inteiro, e tem uma ampla fronteira terrestre com várias cidades gêmeas, com circulação de muita gente.”
A intensa movimentação de pessoas, tanto por vias aéreas quanto terrestres, aumenta o risco de entrada e disseminação do vírus, especialmente em regiões de fronteira.
Diante do avanço do sarampo no continente, o Ministério da Saúde tem ampliado as estratégias de prevenção e controle. Entre as principais medidas estão campanhas de vacinação em áreas de fronteira e reforço da vigilância epidemiológica em estados e municípios considerados mais vulneráveis.
As ações incluem desde a vacinação preventiva até a investigação detalhada de casos suspeitos. Equipes de saúde realizam varreduras em residências, unidades de saúde e laboratórios, com o objetivo de identificar possíveis cadeias de transmissão e evitar surtos locais.
Além disso, há um esforço contínuo para conscientizar a população sobre a importância da imunização e dos cuidados preventivos.
Outro fator que contribui para o estado de alerta é a proximidade de grandes eventos internacionais. Em 2026, os Estados Unidos, Canadá e México — países que lideram o número de casos de sarampo — serão sede da Copa do Mundo.
A expectativa de aumento no fluxo de turistas acende um sinal de preocupação para as autoridades brasileiras, que já adotam medidas preventivas em portos, aeroportos e aeronaves.
“Isso também está deixando a gente bem alerta. Então, por isso que, por exemplo, a gente tem trabalhado com a Anvisa para deixar os recados nas aeronaves, nos aeroportos, até nos portos, por conta dos cruzeiros. Então, tem feito esse exercício de sempre estar falando de sarampo, para que seja um assunto sempre presente na vida das pessoas”, afirmou Eder Gatti.
Especialistas são unânimes ao afirmar que a vacinação é a forma mais eficaz de prevenir o sarampo. O imunizante é considerado altamente eficiente, impedindo não apenas o desenvolvimento da doença, mas também a transmissão do vírus.
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, reforçou a importância da cobertura vacinal elevada.
“São vacinas que a gente chama de esterilizantes. Elas evitam, inclusive, que a pessoa seja uma portadora e transmissora. Por isso que a imunização em altas taxas funciona como barreira na circulação do vírus.”
No Brasil, o calendário do Sistema Único de Saúde (SUS) prevê duas doses da vacina: a primeira aos 12 meses, com a tríplice viral, e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral.
Apesar dos avanços, a cobertura vacinal ainda não atinge os níveis ideais. Em 2025, cerca de 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da vacina, mas apenas 77,9% completaram o esquema com a segunda dose no prazo correto.
Essa diferença preocupa especialistas, já que a proteção completa depende das duas aplicações. Pessoas com até 59 anos que não possuem comprovante de vacinação também são orientadas a se imunizar.
Em situações de surto, o Ministério da Saúde pode adotar a chamada “dose zero”, aplicada em bebês antes da idade prevista no calendário, como forma de proteção temporária.
O Brasil retomou em 2024 o certificado de país livre de circulação do sarampo, concedido por não registrar transmissão sustentada da doença.
No entanto, o aumento de casos nas Américas e a entrada de infecções importadas mantêm o país em estado de vigilância constante. Autoridades reforçam que, embora não haja risco imediato de perda do status, a situação pode mudar caso a cobertura vacinal não seja ampliada.
Além das ações governamentais, especialistas destacam que a participação da população é essencial para evitar novos surtos. Manter a carteira de vacinação atualizada, especialmente em crianças, é considerado o principal passo para conter a doença.
A orientação é que pais e responsáveis procurem unidades de saúde para verificar a situação vacinal e garantir a proteção adequada.