A Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) chegou nesta quarta-feira (18) ao município de Dourados, em Mato Grosso do Sul, para reforçar as ações de enfrentamento à chikungunya diante do aumento de casos na região. A iniciativa, coordenada pelo Ministério da Saúde em parceria com órgãos federais, estaduais e municipais, busca ampliar o controle do mosquito transmissor, reorganizar a assistência à saúde e intensificar o atendimento, especialmente em comunidades indígenas.
A mobilização ocorre após a emissão de um alerta epidemiológico pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS). O documento apontou crescimento significativo de arboviroses no município, com destaque para a chikungunya, sobretudo nas áreas atendidas pelo Polo Base de Dourados.
Desde então, o Ministério da Saúde passou a acompanhar de perto a evolução do cenário epidemiológico, articulando uma resposta rápida e coordenada para conter o avanço da doença. A chegada da Força Nacional do SUS marca um novo momento dessa estratégia, com ampliação das equipes em campo e intensificação das medidas já em andamento.
A operação envolve a atuação conjunta da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), além de diversos parceiros institucionais. O foco principal é fortalecer o controle vetorial — ou seja, o combate direto ao mosquito transmissor — e reorganizar a rede de atendimento à população.
Entre as principais ações adotadas está o reforço no número de profissionais de saúde, com apoio da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). A ampliação das equipes permite melhorar o atendimento, agilizar diagnósticos e garantir assistência adequada aos pacientes.
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Acesse o canal →Além disso, houve incremento na logística de atuação, com disponibilização de viaturas que facilitam o acesso às comunidades mais distantes. Esses veículos são fundamentais para a realização de busca ativa de casos, transporte de equipes e apoio às atividades de regulação e atendimento.
Outro eixo central da operação é o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da chikungunya, dengue e zika. As ações incluem visitas domiciliares, eliminação de criadouros e aplicação de inseticidas em áreas consideradas de maior risco.
Equipes também estão realizando mutirões de limpeza nas aldeias e comunidades, com coleta de resíduos que possam acumular água e servir de ambiente para a proliferação do mosquito. Essas ações são consideradas essenciais para interromper o ciclo de transmissão da doença.
Paralelamente, a população está sendo orientada sobre medidas simples, mas eficazes, de prevenção dentro das residências, como evitar água parada e manter ambientes limpos.
A estratégia também prevê a qualificação dos profissionais de saúde para o reconhecimento precoce dos sintomas da chikungunya. A identificação rápida dos casos é fundamental para garantir tratamento adequado e evitar complicações.
Uma unidade de atendimento móvel foi instalada na região, por meio da Ebserh, permitindo assistência imediata à população. O equipamento amplia a capacidade de resposta do sistema de saúde, especialmente em áreas de difícil acesso.
Desde o início de março, cerca de 100 agentes de saúde e de endemias já atuaram na região, visitando mais de 2,2 mil residências em aldeias. O trabalho inclui orientação à população, identificação de possíveis focos do mosquito e acompanhamento de casos suspeitos.
Durante a chegada da equipe, o diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli, destacou que a população está sendo assistida e que as ações continuarão sendo intensificadas.
“A população não está desassistida e não ficará. Estamos mobilizando cerca de 20 profissionais para atuar no território, somando esforços com os agentes de saúde, realizando busca ativa, ações de limpeza e cuidado às pessoas doentes. A Sesai já iniciou a contratação de novos agentes de endemias para atuação nos territórios, além de ações continuadas de coleta, saneamento e melhoria das condições de vida da população indígena”, afirmou Stabeli.
A declaração reforça o compromisso das autoridades em garantir atendimento contínuo e eficaz, além de ampliar as ações estruturais que impactam diretamente na saúde das comunidades.
A resposta ao aumento de casos de chikungunya foi estruturada de forma tripartite, envolvendo o Governo Federal, o estado de Mato Grosso do Sul e o município de Dourados. Essa integração tem permitido maior eficiência na execução das medidas e melhor distribuição de recursos.
A operação também conta com a participação de diferentes instituições, como o DSEI-MS, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, o Núcleo Regional de Saúde de Dourados, o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil, a Prefeitura de Dourados e o Governo do Estado.
Essa articulação amplia o alcance das ações e garante que diferentes frentes — como saúde, infraestrutura e limpeza urbana — atuem de forma coordenada no enfrentamento da doença.
Embora não exista vacina contra a chikungunya disponível no SUS, o município já alcançou 100% de cobertura da vacina contra a dengue, outra arbovirose transmitida pelo mesmo mosquito. A estratégia de imunização contribui para reduzir a sobrecarga no sistema de saúde e proteger a população contra outras doenças.
Além disso, as equipes seguem trabalhando na conscientização da população sobre a importância da prevenção e da continuidade dos cuidados. A participação ativa dos moradores é considerada fundamental para o sucesso das ações, especialmente no controle dos criadouros do mosquito.
O Ministério da Saúde informou que continuará monitorando a situação epidemiológica em Dourados e prestando apoio às autoridades locais. Novas medidas poderão ser adotadas conforme a evolução dos casos.
A expectativa é que, com a intensificação das ações e o envolvimento da população, seja possível conter o avanço da chikungunya e reduzir os impactos da doença na região.